Minha priminha, Mariana, morava na França!

Minha priminha, Mariana, morava na França!
Minha priminha, Mariana, morava na França!

Minha priminha, Mariana, morava na França!

Aqui em casa é quase um mantra! Minha esposa já não agüenta mais me ouvir falar que “a hipocrisia é o grande mal do mundo”. Mas, após os ataques de sexta-feira, 13, em Paris, minha certeza sobre meu mantra só aumentou.

Mudei a minha foto de perfil no Facebook para aquele efeito que coloca as cores da bandeira da França de fundo e pronto! Comecei a ser bombardeado com comentários que me chamavam de desinformado para baixo, pois aqui no Brasil, em Mariana, houve uma tragédia anterior (o rompimento das barragens) e eu não havia me manifestado com tanto “fervor”; que me faltou patriotismo; que eu deveria prestar mais atenção no que ocorre no meu país, pois, para a França, o mundo inteiro já olhava…

A hipocrisia é o grande mal do mundo!

Tenho a plena certeza de que os que me criticaram não procuraram uma maneira sequer de ajudar os desabrigados de Minas. Eu, pelo menos, divulguei no meu perfil como e onde fazer doações ao povo mineiro.

Vi pessoas que me conhecem há tempos bradando aos quatro ventos que “não está nem aí para a França” e que “devemos olhar pelos brasileiros”.

Pessoas: o que aconteceu em Mariana foi uma fatalidade, uma tragédia, como não, mas algo que poderia ter sido evitado. Tremores de terra, abalos sísmicos, terremotos, de pequena magnitude, iguais aos que o solo brasileiro está exposto desde que o mundo é mundo, acabaram por causar o rompimento das barragens em Minas Gerais.

Poderia ter sido evitado? Sim! A Agência Nacional de Mineração e o Departamento Nacional de Mineração, DEVERIAM, realizar fiscalizações sazonais nas barragens. Sabem quantas foram feitas nos últimos 12 anos (qualquer lembrança sobre o partido que está no poder é mera INTUIÇÃO DO LEITOR!)? Nenhuma!

Já na França o que ocorreu foi um fato em que seres humanos agiram de forma calculada e cruel contra outros seres humanos. Vidas foram tiradas em nome de um Deus que eu desconheço (e quem agiu assim, em nome de seja lá quem for, também desconhece!), por humanos irracionais, radicais na denominação da imprensa, mas irracionais no agir, que acreditam combater um inimigo imaginário e que matar pessoas a esmo seja a melhor forma de fazê-lo!

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Tentei chorar, mas não consegui

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Me comoveu o que aconteceu em Minas? Sim, de forma profunda tanto humana como ambiental. Não foram só pessoas que morreram ou ficaram desabrigadas. Foi a natureza que perdeu parte de sua capacidade de se superar para nos manter, a nós, humanos, vivos.

O Rio Doce morreu, dizem. Mas, não, o Rio Doce, seja quantos anos levar para isso, vai estar de volta em sua capacidade de gerar e possibilitar vidas. Essa é a natureza da natureza. Senão não estaríamos mais neste planeta.

Quem morreu, de verdade, em Minas Gerais, foras cidadãos. Cidadãos que pagam impostos para manter um governo que não fiscaliza o que deveria fiscalizar e possibilita que situações assim aconteçam.

Em Paris quem morreu foram também cidadãos, tão importantes como quaisquer cidadãos mineiros. Mas foram cidadãos mortos em uma situação que não há como se evitar. Em uma situação em que houve planejamento, avaliação e execução, na mais profunda essência da palavra execução.

Foi gente matando gente em nome de uma causa que nem sequer entendem a que fim se propõe.

Logo, a tragédia na França foi, sim, mais emblemática que a de Mariana. Não maior. Não mais midiática.

Apenas mais emblemática.

A tragédia mineira poderia ser evitada por mecanismos que deveriam funcionar. Mecanismos que são mantidos pelos que morreram.

A tragédia francesa não tinha como ser evitada.

Afinal, não sabemos nem como nossos “amigos virtuais” pensam! Quem dirá como completos estranhos à nossa existência!

A respeito do título deste artigo, minha priminha, Mariana, de 11 anos, morou na França no período exato entre os atentados ao Charlie Hebdo e as ações terroristas da última sexta-feira.

Isso me fez ser mais condescendente com a tragédia francesa?

Não.

Isso me fez acreditar, mais ainda, na força do meu Deus que na do deus dos extremistas islâmicos!

Luciano Moreira

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