“Meu partido assumiu o governo em 2003 para roubar”

“Roubou tanto que o governo faliu”. Essas são as repostas que a presidenta Dilma deveria ter dado a Fareed Zacaria, da CNN, na entrevista concedida em 25/09. Durou 5:23 minutos. Quando indagada sobre a crise econômica tentou desvincular seu atual governo dos que o antecederam, como se fosse possível ignorar que numa eleição majoritária para a presidência é o partido vencedor – que pode se coligar a outros – que assume o governo. O candidato apenas o representa. 

Dona Dilma imaginou que poderia enganar o entrevistador e os telespectadores com a história de que os corruptos que foram presos estão atrelados aos governos anteriores o que a permitiria dizer que no seu atual governo não há corrupção.

Justificar que o atual movimento para afastá-la da presidência ocorre porque a democracia brasileira é “adolescente”, revela que confunde “estado de Direito”, “sistema democrático” e “regime democrático”.

“Adolescente” é a atual condição do “estado de Direito”, que o PT descobriu ser facilmente corrompido. 

O “sistema democrático” foi instituído com a Proclamação da República em 15/11/1889, que instaurou a forma republicana federativa presidencialista, regido democraticamente. Desde então nunca foi alterado havendo, no entanto, deturpações na obediência ao “estado de Direito”” e ao “regime democrático”. Duas delas ocorreram no período Vargas (1930-1945) e no período dos governos militares (1964-1989).

Com a elaboração da Constituição de 1988, os constituintes, que tanta questão fizeram em anunciar que haviam eliminado o “entulho autoritário”, marca registrada do período dos governos militares, demonstraram o baixo nível de maturidade política, enraizada na nossa cultura, substituiu o famigerado “decreto-lei”, que exacerbava o papel do Poder Executivo, pela famigerada “Medida Provisória” que garante a continuidade da supremacia do Poder Executivo.

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Dona Dilma perdeu uma oportunidade de admitir que é a permanência dessa aberração que permitiu que se instalasse no País o mais escandaloso esquema de corrupção, montado em 2003, com espantosa dedicação de seu partido, aproveitando os abusos do Poder Legislativo anexando à cada MP despesas para a execução de obras e outras atividades sem correlação ao objetivo da MP.

Essa “adolescência” promoveu o descaso no trato da coisa pública, criando as condições que caracterizam a atual crise econômica.

Dona Dilma e o PT resistem em admitir que a falência do governo ocorreu muito mais por conta da maneira irresponsável como os recursos financeiros do governo foram esbanjados do que pelas crises econômicas internacionais.

O que Dona Dilma faz é justificar a crise financeira como faria um chefe de família que justifica sua falência à existência de bancos que lhe concedem empréstimos sem exigir garantias. Um comportamento de adolescente irresponsável que transfere as consequências de suas decisões aos membros de sua família.

Na entrevista Dona Dilma deixou uma mensagem: “Ajo como adulto, enquanto que os que a mim se opõem agem como adolescentes imersos num ambiente que os impede de agir de outra forma”.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
27/10/2015

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