Mas que Mané! (Revisto em 08/10/2015)

A história que contou em 07/10/2015 é inverossímel. As contas no exterior não estão em seu nome, mas o dinheiro é dele. 

Diz Mané que ganhou muito dinheiro na década de 1980 vendendo carne enlatada para o Congo, mas não citou o noime da empresa importadora e não sabe se existe documentção que sustente a afirmação. Não citou o nome do fabricante no Brasil. Diz que ganhou muito dinheiro em bolsas de valores no exterior, mas não tem a documentação que comprove isso. São informações que qualquer pessoa guardaria.  

Daquela década o que podemos lembrar é o Plano Cruzado, iniciativa do então presidente José Sarney. A inflação era alta e os criadores de bois, vacas e bezerros não queriam perder dinheiro porque o preço era controlado. Deixaram a bicharada no pasto e depois passaram a esconder. Sarney, então, ordenou que os bichos fossem laçados nos pastos. Como Mané diz que exportava muita carne enlatada, talvez seja por isso que faltava carne nos açougues.

O dinheiro que ganhou era depositado numa conta na Suíça aberta por um “trust”, razão porque entendeu não ser necessário informar à Receita Federal a existência da tal conta.

Eis a seguir um exemplo de Mané-Mané que passou por experiência semelhante.

Mané-Mané é brasileiro e durante 15 anos viveu como imigrante nos Estados Unidos. Durante cinco anos foi contratado para trabalhar numa universidade que lhe ofereceu suas opções: a) receber o salário integral, mensalmente; b) solicitar à Teachers Insurance and Annuity Association – um “trust” – que abrisse uma conta onde 10% do salário bruto seriam depositados; o dinheiro depositado poderia ser recebido de três formas quando Mané-Mané encerrasse seu contrato com a universidade: b1) receber o total depositado na conta; b2) receber uma mensalidade, enquanto vivo, em conta bancária de Mané-Mané ou b3) designar um beneficiário, cidadão norte-americano, com conta em banco nos Estados Unidos onde a mensalidade seria depositada.

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Mané-Mané optou pela terceira opção, designando como beneficiária uma filha sua, cidadã norte-americana. Se não fizesse isso e abrisse uma conta em seu nome, teria que informar ao BC e/ou a Receita Federal, a existência da conta, nos Estados Unidos, caso retornasse ao Brasil. Mané-Mané poderia, também, optar por deixar o dinheiro depositado na conta da TIAA até decidir o que fazer com ele. Evidentemente o dinheiro era de Mané-Mané, que poderia, do Brasil, usar parte do dinheiro para comprar chifres de bois para presentear amigos. Mas, tudo isso, nos Estados Unidos, sem ter que informar o BC e/ou a Receita Federal. É claro que caso fizesse isso pagaria IR, nos Estados Unidos, mas não no Brasil.

Nosso Mané fez exatamente a mesma coisa, exceto num detalhe. O dinheiro é dele, pode fazer o que quiser, mas como consta como beneficiário, teria que ter informado ao BC e/ou a Receita Federal o arranjo feito com o banco na Suíça. Mané-Mané não precisou fazer isso porque a beneficiária era sua filha.

Fica a pergunta: o que fez com os ganhos? Até agora não disse e é ai que Mané se complica. Mandou depositar na mesma conta aberta no banco na Suíça?

Falta a Mané explicar de que maneira as latas saíram do Brasil. Falta explicar como conseguiu a licença para a exortação. Falta explicar se pagou os impostos devidos ao fisco, no Brasil, pela operação.

Mané se complicou e seu futuro provável é o de ser enlatado como “carne podre”.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
08/11/2015

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