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Para Pedro Correia, aos 7 anos e dois meses que cumpria em regime semiaberto, no caso do Mensalão, somaram-se 20 anos, 7 meses e 10 dias em regime fechado pelas 568 operações de lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato. O regime semiaberto passou para fechado, totalizando 27 anos, 9 meses e 10 dias. Isso dá, aproximadamente, 13 dias para cada operação de lavagem de dinheiro na Lava-Jato. A pena é de 3 a 18 anos para cada crime de lavagem. Se cumprir toda a pena sairá da prisão com 94 anos.

A pena de 20 anos é, portanto, pequena, o que permitiria especular se Pedro Correia, afinal, fez uma delação premiada. Isso seria má notícia para os envolvidos na operação, para o PT e para Lula.

Ao mesmo tempo o ministro Barroso do STF ordenou que José Dirceu fosse ouvido pelo juiz Sérgio Moro para que, a seguir, decidisse se Dirceu iria cumprir sua pena no caso do Mensalão – 7 anos e 11 meses – em regime fechado. Isso seria outra má notícia.

Como havia anunciado o chefe das investigações da PF em Curitiba, falta descobrir quem é o chefe da Operação Lava-Jato.

A pressão sobre José Dirceu irá aumentar e, juntando o que Pedro Correia talvez tenha revelado, é provável que consigam identificar esse chefe e aplicar aos demais implicados pesadas penas.

Quando foi preso em 10/04, e mandado para Curitiba no dia seguinte, Clovis Correia, seu primo e advogado anunciou que iria propor delação para ele, dizendo que ele poderia “fechar a República”

Em 12/04 seu novo advogado, Michel Saliba, declarou que Clovis Correia não refletia o pensamento do seu cliente.

Em 26/08 Pedro, representado pelo advogado Alexandre Augusto Loper, afirmou ao juiz Sérgio Moro que eram inocentes seus filhos, a ex-deputada Aline Corrêa e Fábio Corrêa, a nora Márcia Danzi e o ex-funcionário de seu gabinete na Câmara Ivan Vernon. Afirmou que eram seus agentes, assumindo a responsabilidade dos seus atos. E se calou.

Naquela ocasião comentava-se que Pedro estaria fazendo delação premiada na Procuradoria-Geral da República, mas isso não impediria que fosse processado pelos crimes que o Ministério Público Federal lhe atribui.

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Pedro Correia recebeu propina até março de 2014 e José Dirceu também continuou a cometer crimes, mesmo depois de condenado no episódio do Mensalão.
O cerco está se fechando em torno do cabeça da Operação Lava-Jato. Talvez Lula não precise se preocupar, mas dificilmente Marcelo O. deixaria as coisas como estão no momento em que chegar sua hora de enfrentar a ira do juiz Sérgio Moro. Má notícia para o PT e para Lula.

Finalmente, outra má notícia para Lula: a prisão na manhã de 24/11 de José Carlos Bumlai, seu amigo íntimo. Bumlai estaria envolvido no imbróglio de uso de dinheiro da Petrobrás para pagar dívidas e, ainda, de ter conseguido R$2 milhões para o pagamento de uma dívida de uma nora de Lula. A Operação Lavo-Jato teria chegado na porta do prédio onde mora.

“Não existe comprovação da interseção do ex-presidente no caso. A ordem teria vindo de cima, mas não há provas ainda em relação a isso”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em coletiva de imprensa realizada em Curitiba. “Investigamos a origem desses diversos empréstimos e se eles tiveram motivação política.”

Qual seria o significado de “de cima”? Numa entrevista concedida a Roberto D´Ávila, afirmou Lula que jamais um empresário lhe perguntou, “Lula, você quer uma pera?”. Fica, então, a pergunta: quantas vezes teria dito a membros do PT: “Consigam peras”.

Lula terá que aceitar a situação descrita no bordão do comediante Agildo Ribeiro: “Perguntar não ofende”.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
24/11/2015

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