Lula: soberba. Dilma: dissimulação

“Sou a única pessoa que poderia incendiar este País. Como Nero”, disse Lula. Que não digam ter sido uma “força de expressão”, Lula, no seu íntimo, acredita nisso. Na História ouvimos convicções assemelhadas: Hitler: “eu sou a lei”. De Gaulle: “eu sou a França”. Historiadores nos dizem que os faraós se consideravam deuses. A nobreza, em reinados e impérios, que tinham sangue azul.

Em todos esses casos os indivíduos se consideram acima da lei, tendo o poder de discernir o futuro. Foram e são indivíduos a se temer, sempre, por serem imprevisíveis.

“Desvio de finalidade” escreveu o ministro Gilmar Mendes na sua decisão ao suspender a nomeação de Lula para ser Ministro-Chefe da Casa Civil no governo Dilma. Resumindo: a presidente foi dissimulada ao tentar convencer o País de que precisava da colaboração do ex-presidente no enfrentamento das crises política e econômica. Essa dúvida foi examinada em artigo anterior deste articulista, com título “Um fim melancólico: sabe com quem está falando? ”. Pareceria evidente que a intenção era a de fazer com que o processo em que Lula está sendo investigado fosse transferido de um tribunal de primeira instância para o STF onde, teriam suposto Lula e Dilma, haveria mais tempo para preparar sua defesa e, acima de tudo, escapar da possibilidade, senão probabilidade, de ser preso, julgado, condenado e severamente punido pelo juiz Sérgio Moro em Curitiba.

As posturas de Lula e da presidente faz com que sejamos obrigados a conviver com duas tristes possibilidades: 1) Teria Lula a intenção de se instalar no governo Dilma a atuar como um autêntico ditador. E 2) de que maneira a presidenta Dilma poderá convencer o povo brasileiro de que estaria falando a verdade em qualquer pronunciamento que vier a fazer, em qualquer lugar, em qualquer momento, sobre qualquer assunto.

A presença de Lula no cenário político deveria nos assustar e, portanto, deveria se afastar e desistir de atuar em qualquer nível da hierarquia do serviço público, federal, estadual e municipal, em qualquer dos três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Quanto à presidenta, que siga o caminho rumo a um pré-determinado destino: o afastamento definitivo do cargo ou sua absolvição no Senado ou, até antes, o Senado recusando-se a julgá-la mesmo porque os argumentos apresentados na denúncia que motivou o processo de seu impedimento não pareceriam ser necessários e suficientes. Infelizmente, quer parecer que a oposição ao seu governo estaria em busca de singularizar alguém a quem responsabilizar pela crise política, social, econômica e administrativa. A presidenta teria razão quando argumenta que grande foi o esforço para reduzir a sua capacidade de exercer as funções do cargo para o qual foi eleita.

Não haveria, no cenário político, alguém a quem inocentar.

Uma Nação é um conjunto de indivíduos que se sentem como tal. Em algum momento, nos últimos anos, perdemos a sincronização necessária para que isso aconteça.

Temos que nos reencontrar e essa teria sido a mensagem de Lula no discurso na demonstração em 17/03. No seu caso, porém, resta a dúvida: para quê? Seria para promover o seu retorno? Sendo essa dúvida mão poderíamos correr o risco de crer na sua sinceridade.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
18/03/2016

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