Lula não sabia?

É possível, mas essa é uma dúvida terrível que a todos aflige. Estamos incertos quanto à honra de quem nos governou durante oito anos. O problema é que ele mesmo se colocou nesta posição.

A prisão do senador do PT, Delcídio do Amaral, tem um assustador simbolismo. Como quem gravou a conversa com o senador, e o comprometeu, foi Renato Ceveró, filho de Nestor Ceveró, já condenado, isso pode signifcar que as famílias de envolvidos no gigantesco esquema de corrupção, estariam dispostas a colaborar e implicar muita gente que ainda não foi identificada. 

A situação de Lula começa a parecer com a de Getúlio Vargas, que foi surpreendido com a revelação da bandalheira de seu filho mais novo, Manoel Antônio Vargas, o Maneco, e seu fiel guarda-costas Gregório Fortunato. (Manoel vendeu para Gregório uma fazenda por quatro milhões de cruzeiros. O salário mensal de Gregório era de 15 mil cruzeiros e não dispunha de recursos para efetuar a compra. Até hoje não se sabe a origem do dinheiro, mas poderia ser do lucro de uma banca do jogo do bicho que teria funcionado no porão do Palácio do Catete). A expressão “mar de lama” foi cunhada por Getúlio. Debruçado na janela do palácio, usando óculos escuros, disse “Estou cercado por um mar de lama”, falando para Oswaldo Aranha, que retrucou, “Reaja, você é um homem forte”. Mas, havia também a história de que seu filho Lutero Vargas, teria dado a ordem para matar Carlos Lacerda, o que não se confirmou. O que também feriu Getúlio foi tomar conhecimento de que membros de sua guarda pessoal estavam envolvidos na tentativa do assassinato. Getúlio chegou ao ponto de questionar seu filho e seu irmão Benjamin Vargas, dele, Getúlio, e convocar Gregório para indagar-lhe se estava envolvido no atentado contra Lacerda. Gregório negou. Getúlio, então, teria dito, “Meu governo foi apunhalado pelas costas”.

Cessam as semelhanças. Não foram os governos do PT que foram apunhalados pelas costas. Trata-se do caso em que cada cidadão brasileiro foi e está sendo apunhalado pelas costas. Ocorreu e ocorre uma quebra de confiança nos governos do PT, passados e presente.

Começa-se a perceber que Lula estava cercado de corruptos e, até agora, como comentou o juiz Sérgio Moro, não há indícios de que estava envolvido nas bandalheiras.

Para muitos Lula nem mesmo suspeitou. Ninguém teria dele se aproximado para fazer um comentário sobre a sucessão de desvios de dinheiro público, embora Roberto Jefferson teria tido a impressão de que Lula saberia sobre o escândalo do Mensalão quando com ele conversou para revelar o que estava acontecendo. É possível que nunca tenha se preocupado em se interessar em como o PT estava pagando suas dívidas de campanha. É possível que jamais teve, mesmo passageira, a curiosidade em perguntar a alguém no PT qual a origem do dinheiro para saldar as dívidas.

É possível que essa separação, entre Lula e seus mais íntimos amigos e assessores tenha existido, levando em conta o que este articulista já havia comentado em artigo anterior: Lula seria um homem “sem malícia”.

Apesar dessas possibilidades, o volume de recursos desviados, as negociações e artimanhas alegadamente engendradas por pessoas próximas a Lula, faria dele o mais inepto, negligente e omisso presidente da República na História do Brasil.

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Teriam sido essas inépcia, negligência e omissão que nos trouxe ao atual estado de coisas na conjuntura política, social, econômica e administrativa. Teriam sido esses comportamentos que teriam permitido que se instalasse a mais vasta rede de corrupção jamais vista, saqueando, sistematicamente um grande número de órgãos públicos e instituições do setor privado.

Como enfatizado pelo jornalista Alexandre Garcia, “O responsável pelo governo é o chefe do governo”.

Lula, portanto, poderia ser acusado de inépcia, negligência e omissão no exercício de suas funções como presidente da República.

Mas, resta ainda, as dúvidas que pairam sobre o comportamento de um de seus filhos e do pagamento de uma dívida de uma nora usando recursos desviados da Petrobrás. É por essa razão que a polícia, talvez, se interesse em se postar na porta do prédio onde mora.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
25/11/2015

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