Investimentos fortalecem agricultura familiar em Nova Friburgo

Importante pólo agrícola do Estado do Rio de Janeiro, Nova Friburgo, na Região Serrana, é atualmente reconhecido pela grande produção de olerícolas, flores de corte, frutas, criação de trutas, além da produção agroindustrial e do cultivo de alimentos orgânicos. Agricultores de seis microbacias do município – Barracão dos Mendes, Conquista, Pilões, Santa Cruz, São Lourenço e São Pedro da Serra – estão aumentando sua produtividade graças à adoção de práticas sustentáveis incentivadas pelo Programa Rio Rural, da secretaria estadual de Agricultura. Nas seis áreas priorizadas, já foram liberados mais de R$ 3,7 milhões em recursos não reembolsáveis, diretamente para os produtores familiares.

Na localidade Fazenda Campestre (microbacia São Lourenço), a família do agricultor Ailton Gomes da Silva é uma das beneficiadas pelo programa. Há mais de 40 anos na região, o produtor e dois filhos se dedicam às lavouras de tomate, couve-flor, feijão, alface, couve, brócolis e temperos, escoados semanalmente para a capital fluminense. Com incentivo de quase R$ 6 mil do Rio Rural, foi possível adquirir equipamentos de irrigação, fazer a correção e adubação racional do solo com esterco de galinha, calcário, torta de mamona e farinha de osso e ainda promover a recuperação da mata ciliar do rio que corta a propriedade, com cercamento e plantio de capim vetiver, mudas de árvores nativas e frutíferas.

A elaboração do plano individual de desenvolvimento (PID) da propriedade, etapa da fase de planejamento das ações do Rio Rural, ficou a cargo da técnica agrícola Mirian Cordeiro, uma dentre os jovens rurais egressos do Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I (Ibelga) que estão prestando assessoria técnica aos beneficiários do Rio Rural no município. Ao mesmo tempo, a família será contemplada, junto com a associação local, por um subprojeto grupal de captação e distribuição de água potável, que beneficiará filhos de produtores que estudam no
Ibelga.

O contato do produtor Ailton com práticas conservacionistas, no entanto, é bem antigo. Há 10 anos ele foi estimulado pela Emater-Rio e pela própria associação de produtores a proteger o solo do impacto direto da chuva, utilizando a palhada do milho. Segundo o agricultor, essa técnica diminuiu significativamente o uso de defensivos químicos. Isso ocorre porque torna a planta mais resistente ao reduzir o estresse hídrico e aumentar a absorção de nutrientes.

Já a filha do agricultor, Fabiane da Silva Pacheco, até então desconhecia a possibilidade de usar farinha de osso como adubo. “Experimentei numa variedade de tomate e notei que a planta respondeu muito bem, ficando mais viçosa. Na colheita, houve aumento de produtividade”, disse.

Engenheiro agrônomo da Emater-Rio e assessor técnico regional do Rio Rural, Gerson Yunes informou que as próximas microbacias a terem liberação de recursos financeiros no município serão Cardinot, Riograndina e Vargem Alta. “Está no planejamento do programa iniciar os trabalhos nas microbacias Cascata, Lumiar, Macaé de Cima e Rio Bonito, ainda em 2015”, disse.

Fonte Paulo Filgueiras

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