Impossível evitar (Ed. 07/05)

A emenda pode ficar pior do que o soneto. Dona Dilma é teimora, Temer parece flutuar. O “Minstério de Notáveis” durou pouco e e o velho toma-lá-dá cá se instalou. Temer aposta todas as fichas em Meirelles, mas os temos são outros.

“As medidas são anticíclicas”. “Crédito não é empréstimo”. “Pagou com seis meses de atraso, mas pagou”. Multidões não foram às ruas carregando faixas com esses chavões. Ninguém entendeu bulhufas, mas Dona Dilma grita “Golpe”. Lula sumiu.

11 milhões de desempregados, inflação de 10%, vários estados falidos, serviço público de saúde falido, filas quilométricas para concorrer a meia de dúzias de vagas em um emprego pagando mixaria, escolas invadidas por alunos, gente morrendo na porta de hospitais, planos se saúde negando atendimento, pilhas de contas atrasadas.

E a TV Globo martelando na alternativa da atividade informal, mostrando gente com curso superior,10, 15, anos de experiência na atividade que exercia fazendo bolo, brigadeiro para vender, engenheiro empunhando balde e vassoura fazendo limpeza em condomínios. “Se vira” virou moda. É a saída.

Revistas incentivam a moda com artigos comentando a criatividade e a inventividade de uma garotada criando micro-microempresas, a maioria na informalidade, oferecendo serviços calcados na informática que só eles entendem. Há por aí milhares de “free lancers” aguardando um contato, como biscateiro “faz tudo” que “se vira” dia-a-dia dependo da recomendação boca-a-boca: carpinteiro, eletricista, bombeiro, jardineiro, pedreiro, até barbeiro à domicílio. A informalidade “nivela por baixo”, o que varia sendo o custo/dia ou o custo/hora. Um filmador que usa drone cobra mil paus por dia. A filmagem de um casamento pode render até dez mil, Dona Dilma querendo taxar mais quem pode pagar por uma frescura como essa.

“Eram medidas anticíclicas”, insistia o senador Lindberg Farias, como se soubesse que significa e, pior, como se o povão da CUT, MST, etc. pudesse aproveitar a oportunidade e pintar faixas que usariam em passeatas de protestos. “Crédito não é empréstimo”, repetia o ministro Cardozo, esquecendo que isso repercutiu na cabeça de quem está vendo seu imóvel sendo levado à leilão por falta de pagamento de três prestações consecutivas. E o ministro entendeu que se o Tesouro Nacional atrasou o pagamento ao Banco do Brasil durante seis, então estaria tudo bem. A causa era nobre: sem o dinheiro o pequeno agricultor seria prejudicado. Mutatis mutandis, o atraso no pagamento da prestação de um imóvel também seria uma causa nobre: os filhos do tomador do empréstimo se tornaria em sem-teto, uma maldade.

O ministro não quer aplicar ao governo as regras a que está submetida o povão. O argumento não colou nem pode.

Mas, na cabeça de todos está a assombrosa roubalheira que se, incialmente, aproveitou a experiência de governos passados, ultrapassou todas as expectativas. Já são mais de 70 indivíduos, com ou sem foro privilegiado e a cada semana as listas do PGR, Rodrigo Janot, começaram a conter 10, 15, 20 nomes.
Essa roubalheira foi aperfeiçoada a partir de 2003 sob os narizes de Lula e Dilma. Como é possível crer que nem sequer suspeitaram?

Ernesto Lindgren

CIDADE ONLINE
07/05/2016

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