O dono do Club Med sumiu, mas reapareceu em 14/12

“Bola preta. Olho vivo, que cavalo não desce escada”, como dizia Ibrahim Sued.

O resort no Peró foi ou é um “negócio da China”. Guo Guangchang foi detido pela polícia na tarde de quarta-feira, 09/12, quando chegou em Shangai voltando de Hong-Kong. A informação da Fosun Internacional, conglomerado que preside, é a de que estaria “colaborando com as autoridades judiciais” sobre casos de corrupção na China. A coisa estaria parecendo como “delação não-premiada”.

E agora? Em setembro de 2014 Guo finalmente fechou a compra do Club Med. Em novembro foi anunciado que o presidente mundial do Club Med assinou contrato com a Costa do Peró Participações para a construção de um resort em Cabo Frio. A obra está parada em razão de uma disputa judicial.

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Ilusionista de um Club Med no Peró

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Ao que parece, deu Fosunão na China, que poderia se esparramar para Medão em Cabo Frio, embora representantes da Fosun afirmem que Guo continuará a participar das decisões no conglomerado por “meios adequados”. Que meios seriam esses e de que maneira sabem disso, se nem mesmo a família de Guo tem notícias dele? Estaria parecendo o modo clássico que os chineses têm em explicar uma situação embaraçosa, conhecido como “saving face”, uma desculpa esfarrapada para que os envolvidos, direta e indiretamente, declarem que tudo continua como antes.

Dois outros executivos chineses desapareceram em circunstâncias idênticas. Em 21/11 passado Yim Fung, presidente de uma corretora estatal, sumiu e ninguém sabe onde está. Em maio/2015 Li Hejun, que já foi o homem mais rico da China, também sumiu. Era aguardado para uma reunião de acionistas da companhia que presidia e não apareceu. Acontece que naquele mês a empresa sofreu uma perda de USD15 bilhões quando suas ações perderam 47% de seu valor no período de uma hora na bolsa de Hong-Kong.

Seja lá o que tenha acontecido, não seria recomendável que os envolvidos na compra do Club Med e na assinatura de contrato e eventual construção de resort do Club Med, cheguem perto da China ou manifeste interesse no desaparecimento de Guo. Mas, cada um sabe o que faz e saberia, também, no tipo de negócio em que se meteu.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
11/12//2015

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