Hélio Bicudo caiu em si

Está preocupado com o governo Temer. O que esperava, com o toma-lá-dá-cá, apoio do Aécio que pediu sua impugnação no TSE? Não conhece o dito “Uma mão lava a outra?”. Os dois estão com os nomes no STF. 

Não se dá conta de que uma declaração como essa lança dúvida sobre todos os ministros? É como entrar numa sala e gritar, “Há um ladrão aqui! ”

Que vá ao Senado e lá leia sua carta. Anuncie que tudo não se passou de um engando. Que seria melhor voltar atrás porque tem sérias dúvidas sobre a competência de um governo Temer.

Quem ele entende que deveria fazer parte do ministério? Vai pedir o impedimento de alguém? O que ele entende que Temer deverá fazer? Consultá-lo?

Na carta nada diz sobre a legitimidade de Temer. Ainda bem porque seria uma grandessíssima asneira, com todo respeito ao ex-ministro Joaquim Barbosa.

Se o vice-presidente não tem legitimidade para assumir, então também não tinha nos casos do afastamento temporário da presidenta, em viagem, por exemplo. Deveria, nesse caso, constar da Constituição que o vice é, apenas, uma figura decorativa tanto quanto um cinzeiro numa mesa. Seria alguém que faz parte do governo só para receber seu salário, ter carro com motorista e uma casa para morar?

Bicudo conheceu Lula em 1980 e já era bem grandinho para saber com quem estava se metendo. Largou o PT em 2005 e só em 2015 reclamou que o que Lula queria era enriquecer. Porque não falou disso em 2005?

A imprensa não está dando importância ao que Bicudo diz, mas sabe-se que seus filhos o criticaram por ter feito o pedido de impedimento da presidenta. Talvez seja por isso que numa entrevista da qual participaram Joana “Janaína” d´Arc e Miguel Reale Júnior tenha permanecido calado. Lula chegou a pensar em processar Bicudo por conta dos comentários que fazia e é válido supor que tenha sido movido por rancor quando assinou o pedido de impedimento. A pergunta é: se Bicudo já nutria rancor ou desagrado em relação à Lula, porque não pediu seu impedimento logo depois de abandonar o partido em 2005?

Esses são argumentos que a defesa de Dona Dilma poderia levar no julgamento no Senado. Ninguém promove uma comoção como a que Bicudo promoveu para depois imaginar que deve articular dúvida sobre o que fará o governo que sucede o da presidenta.

Para Bicudo o governo Dilma não prestava e deveria cair. Tomou uma atitude e Dilma caiu. Logo em seguida manifesta preocupação com o governo que a sucedeu? Que história é essa?

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
12/05/2016

COMPARTILHAR