Fala Marcelo!

Desembucha garoto. “Ode às brechas” seria o título de um poema lírico que seria traduzido para, pelo menos, 40 idiomas. Um best seller instantâneo. Baseado nos seus depoimentos colocaria a empresa fundada por Emílio Odebrecht na História do Mundo.
Qual seria o problema, Marcelo? Antes de ser preso Emílio teria dito que “você derrubaria a República”. Mas, calou-se. Seria tanta a sujeira, seriam tão numerosos os casos de corrupção em que se envolveu mundo afora que não saberia como começar?
Seria válido inferir que Emílio o chamou para uma conversa, tomou conhecimento do que seriam suas estripulias, anotou os nomes daqueles que foram corrompidos e chegado à conclusão de que vocês poderiam “derrubar a República”? Você não acharia Marcelo, essa ameaça um tanto quanto presunçosa? Ou seria, apenas, uma frase de efeito? De qualquer forma, como você não quer falar, seria, também, válido inferir que se o Juiz Sérgio Moro tomasse o depoimento de Emílio tornar-se-ia mais fácil conseguir mais informações sobre essa vasta trama de corrupção na qual sua empresa se envolveu?
Uma pergunta, Marcelo: você estaria viciado em corromper? Seria esse o problema? Sendo o caso, reflita. Você estaria tão viciado em corromper que entenderia que deve induzir quem está próximo também a se corromper. Veja aquela mensagem que foi encontrada em seu celular. Nele você estaria dando ordem para que subordinados seus destruíssem evidência que comprovariam as tramóias engendradas sob sua direção. A PF estaria até mesmo suspeitando que você teria tramado a colocação de escutas ambientais na carceragem em Curitiba. Suspeita que você teria corrompido membros da PF. Pense nisso, Marcelo.
Reflita Marcelo. Não seria proveitoso para sua empresa, para facilitar um acordo de leniência e assim salvar milhares de empregos de pessoas que confiaram em você, contando o que sabe, desde o início?
Quem está de fora observando percebe que não haveria saída para você. Há, portanto, duas opções: saia dessa enrascada de cabeça erguida, sabendo que uma confissão facilitaria que sua empresa possa continuar, ou insista em ficar mudo, levando tudo e todos para as profundezas de um poço sem fundo.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
22/07/2015

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