Estranha explicação: almirante fazia caixa 2

Para comprar no mercado negro peças e equipamentos da indústria nuclear,  o almirante Othon Luiz aceitava propina de empresas. Só pode ser piada.

Circula na Internet uma carta de autoria de J. Carlos de Assis, professor de economia da COPPE/UFRJ que busca identificar uma possível injustiça na condenação do Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva a 43 anos de prisão por recebimento de R$12 milhões de reais resultantes de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos das obras de Angra 3.

Insinua o professor que, “obviamente”, as peças e equipamentos só poderiam ser compradas no mercado negro e que o impedimento para a aquisição legal vinha sendo obstruída pela espionagem norte-americana. E mais, que os norte-americanos dispõem de tecnologia de enriquecimento de urânio menos eficiente do que a brasileira.

Para que se considere como válido o argumento do professor, duas condições devem ser satisfeitas: 1) é, também, um especialista em enriquecimento de urânio; 2) é conhecedor das tecnologias de enriquecimento usada pelos físicos nucleares norte-americanos e pelos brasileiros.

Consultando seu currículo, disponível na Plataforma Lattes, constata-se que J. Carlos de Assis não tem formação formal em física ou qualquer outra área de conhecimento que lhe conceda credibilidade e autoridade para fazer as afirmações constantes na sua carta.

Além disso, afirma ele que os norte-americanos estariam interessados em “bisbilhotar” a tecnologia das centrífugas brasileiras, enquanto que consta em publicações especializadas que é a estatal russa de energia nuclear, Rosatom, que está interessada no programa nuclear brasileiro, como manifestado em reunião, realizada em junho último, em Moscou, com a participação de 50 países, entre eles os Estados Unidos.

Sem o exigido credenciamento para expressar as afirmações feitas, a carta do professor Assis é uma inaceitável apologia à prática da corrupção, um reprovável exemplo para seus alunos e para toda a comunidade científica.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
09/08/2016

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