Estaleiro Eisa não aguenta efeitos da crise e fecha as portas

A crise brasileira está ganhando um ritmo cada vez mais acelerado e as tristes consequências vão se desdobrando a cada dia, com índices crescentes de desemprego e dificuldades para empresas e trabalhadores. O estaleiro Eisa Petro-Um, em Niterói (RJ), é um exemplo claro disso, com um número grande de demissões ocorridas recentemente, e que agora chegou ao limite de sua sustentação frente às dificuldades.

Sem alarde, o Grupo Sinergy, que controla o estaleiro, divulgou um comunicado interno aos seus funcionários afirmando que os problemas obrigaram a empresa a “encerrar momentaneamente as atividades, até que se consiga achar uma saída que possa garantir as mínimas condições de trabalho que todos merecem”. Com isso, o documento pediu que os funcionários ainda ativos, cerca de dois mil, fiquem em casa a partir do dia 3 de julho.

O estaleiro já havia demitido cerca de mil pessoas há menos de duas semanas, num momento de agravamento da crise, mas afirma agora que nem com essas medidas e com o esforço dos que ficaram para aumentar a produtividade foi possível manter as atividades em curso.

A empresa afirma que a crise é motivada tanto pelo desequilíbrio econômico dos contratos atuais, quanto pela “indefinição na liberação dos contratos para a construção de mais oito navios”, sem dar detalhes maiores sobre os projetos. No caso, trata-se de um contrato com a Transpetro, que encomendou oito navios ao estaleiro, e diz já ter pago todo o valor devido, mas o Eisa questiona dizendo que ainda tem recursos adicionais a receber, em função de custos extras que tiveram durante as obras.

Além do problema com a Transpetro, o Eisa afirma ainda que o envio de projetos brasileiros para a execução no exterior tem agravado a crise, além dos cortes de investimentos sucessivos na indústria. A Petrobrás, por exemplo, fez um corte de US$ 90,3 bilhões em seu plano de negócios anunciado no início desta semana, indicando um volume de investimentos 37% menor do que o previsto anteriormente. A situação se complica ainda mais para a indústria naval em função das especulações de que a estatal pretende se desfazer de navios da Transpetro, como parte de seu plano de desinvestimentos para levantar recursos.

A situação da companhia é delicada e se alastra por todo o setor de petróleo. O estaleiro Eisa é apenas mais um elo da cadeia, que vem fazendo demissões, atrasando pagamentos e deixando muitos trabalhadores sem oportunidades pelo País. De acordo com o sindicato dos metalúrgicos de Niterói, os mil funcionários demitidos na última semana, por exemplo, não receberam as verbas rescisórias, sendo que os outros dois mil dispensados agora estão sem receber seus salários do mês passado.

 

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