Espetáculo deprimente

“Temer pediu propina”, acusa Sérgio Machado. “Aécio também”, como consta na sua delação premiada. Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Vital do Rêgo, Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp, Roberto Requião e outros senadores também teriam recebido propinas.

“Estão despedidos”, comunica este articulista à Janaína Paschoal e à Hélio Bicudo que se autodesignaram representantes do povo brasileiro no pedido de impedimento da presidenta Dilma. Nem morto este articulista permitiria isso, se fosse consultado. Como antes comentado, o pedido foi uma descomunal idiotice o que agora se comprova: o presidente em exercício poderá vir a se tornar réu no STF. É uma possibilidade que não pode ser descartada.

Diariamente a comissão do Senado exibe espetáculo deprimente, a advogada Janaína, que mereceria a alcunha “Joana ´Janaína Sirigaita d´Arc”, expondo-se em esganiçadas intervenções, alçando-se do que seria sua obscuridade ao nível de atuar ombro a ombro com senadores.

O governo Dilma estaria uma esculhambação, desarranjado pela economia internacional, entrando numa recessão sem precedentes, sua importância relativa despencando por conta da desaceleração das economias como as da China e Japão e dos conflitos da Comunidade Europeia.

Janaína e Hélio, um tardio adversário do PT, jogaram o País numa situação muito mais esculhambada. O ministro Meirelles se esforça em propor políticas e estratégias a serem examinadas por um Congresso onde a base de sustentação política do governo mostra ser tanto ou mais fragmentada do que quando era sustentação do governo Dilma.

A proposta de estabelecer teto de gastos públicos durante 20 anos é uma que a priori submete as políticas e estratégias de futuros governos à vontade do atual que, além disso, é provisório até que se decida o destino da presidenta afasta.

Ao que parece está-se a repetir e a ignorar as consequências da política imposta pelos governos militares, que tentaram se manter durante os mesmos 20 anos, até que perceberam não ter condições de se ajustar às condições que regulam o sistema econômico internacional que o Brasil não pode ignorar.

Aprovara a proposta de Meirelles fará com que os futuros presidentes, ao assumirem o posto, também jurem se comprometer às condições enumeradas na proposta.

Inaugura-se, neste mês de junho de 2016, uma forma de governo autoritário.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
15/06/2016

COMPARTILHAR