Elite do surfe pode consolidar Saquarema em posição invejável no esporte mundial

Dúvida no ano passado era se Saquarema teria condições de receber a etapa da WSL

Praia de Itaúna, em Saquarema, neste sábado, 12 de maio | Foto: Gustavo Garcia
Famosa pelas ondas, Saquarema chega ao ápice de sua vocação para o esporte ao receber, pela segunda vez em dois anos, a etapa brasileira da World Surf League (WSL), a elite mundial do surfe. A presença na Praia de Itaúna dos principais nomes do esporte como Gabriel Medina, John John Florence e Adriano de Souza, o Mineirinho, vencedor da etapa do ano passado, atrai turistas e surfistas de vários lugares e movimenta a economia local. Sem falar na transmissão ao vivo do evento para todo o mundo via TV e internet.
Com o crescimento acelerado do surfe nos últimos anos em todo o mundo, e consequentemente da estrutura do campeonato mundial, a dúvida que pairava no ano passado era se Saquarema teria condições de receber a etapa da WSL. O sucesso foi grande para os atletas e para o público. A realização de um bom campeonato este ano pode consolidar a cidade em um posto invejável no esporte mundial.
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Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, em cada um dos dois fins de semana do evento a expectativa é receber em torno de 60 mil visitantes. Nos dias de semana, cerca de 12 mil por dia. A ocupação média prevista na rede hoteleira nos dez dias de competição é de 80%. Nos fins de semana, especificamente, 95%.

Início com poucas ondas e previsão de melhora

Dia sem ondas provocou cancelamento das baterias programadas para este sábado em Saquarema | Foto: Gustavo Garcia
A competição começou nesta sexta-feira (11) com poucas ondas. Foi realizada a primeira fase feminina e, das três participantes do Brasil, apenas a gaúcha Tatiana Weston-Webb estreou com vitória passando direto para a rodada classificatória para as quartas de final do Oi Rio Pro. A cearense Silvana Lima e a saquaremense Taís de Almeida perderam e terão que disputar a repescagem. Os homens não entraram na água.
Neste sábado (12) a previsão se confirmou e o dia amanheceu quase em ondas na Praia de Itaúna, fazendo a organização chamar um day off, ou seja, sem competições. Uma nova chamada foi marcada para as 6h45 deste domingo (13). Se as condições do mar estiveram melhores, a organização pode dar continuidade à primeira fase feminina ou iniciar a masculina. A previsão é de que o mar cresça mais a partir de segunda (14). A competição tem até o próximo dia 20 para ser encerrada.
“Sem dúvidas, foi a decisão mais correta chamar um day off hoje (sábado)”, aprovou uma das surfistas que vão disputar a repescagem feminina, Paige Hareb, da Nova Zelândia.
“Ontem (sexta) já foi difícil competir, mas sei que a previsão mostra que tem ondas chegando nos próximos dias, então não precisa tanta pressa agora. Eu ainda não consegui passar da segunda fase esse ano e meu objetivo é conseguir isso aqui no Brasil. Gostei muito de Saquarema, é uma cidadezinha pequena e bem tranquila, lembrando bastante a minha cidade na Nova Zelândia e realmente só quero passar dessa segunda fase (risos)”.

Marco do surfe nacional

Estrutura do mundial de surfe está pelo segundo ano na Praia de Itaúna, em Saquarema | Foto: Gustavo Garcia
Conhecida como “Maracanã do Surfe” pelas ondas perfeitas e de força rara no Brasil, a cidade se confunde em sua história recente com a própria história do surfe brasileiro, com os primeiros registros ainda na década de 1960, a explosão em 70 e a internacionalização a partir dos anos 90 e 2000.
Foi em 2002 que Saquarema havia recebido, pela primeira e única vez, a elite do surfe mundial. Antes, na década anterior, já havia começado a receber a divisão de acesso. Mas, após 2002, somente em 2017 a cidade voltou a receber a primeira divisão.