Eleições municipais

Outra vez, na segunda semana deste mês, o tanque de retenção de esgoto do Shopping Park Lagos, em Cabo Frio, vazou para a laguna. Que os candidatos a prefeito e vereador não cometam a imbecilidade de prometer corrigir a destruição causada pelo sistema de coleta de esgoto. Os danos são irreversíveis.  

A covardia que teria sido praticada pelo prefeito reeleito de Arraial do Cabo, cassado pelo TSE, é um exemplo das indecências que candidatos praticam para serem eleitos. Contempla-se nova eleição, para um mandato tampão, mas talvez não haja tempo. Esse tipo de comportamento não é novidade. Os eleitores na Região dos Lagos não podem continuar a serem explorados por salafrários que deveriam ser punidos com prisão em regime fechado, além da perda dos direitos políticos por oito anos. Que o caso do prefeito de Arraial sirva de exemplo, que deveria devolver o que recebeu de salários, já que se manteve como prefeito com uma liminar.

Não mais faz sentido eleger prefeitos e vereadores levando em conta promessas que não podem ser cumpridas, particularmente no que diz respeito ao meio ambiente, saúde, educação, etc.

Que os candidatos sejam simples nos seus planos, particularmente porque serão indicados pelos mesmos grupos que dominam os cenários políticos em cada município na Região dos Lagos. A fartura dos royalties do petróleo acabou. E mal. Muito mal. A Petrobrás tem uma dívida, possivelmente impagável, de R$400 bilhões, e não é possível supor que virá a proporcionar lucros que renderão adequados rendimentos a serem distribuídos.

Em Cabo Frio, com sua economia abalada, os candidatos não poderão usar condições existentes no passado para sustentarem seus planos para o futuro. O grupo do atual prefeito deverá continuar a exercer sua influência. É um único grupo, com relações de amizade e de famílias, que controlam com eficiência a política no município. É imprevisível o que serão capazes de prometer para recuperarem a economia municipal, mesmo sabendo das dificuldades em honrar compromissos e serviços já realizados.

Não há como propor uma previsão do que acontecerá em Cabo Frio. Talvez o mais provável será o continuado enxugamento da rede de atividades comerciais, desvalorização do valor do uso do solo e deterioração de umidades residenciais e comerciais que, adquiridas, nunca foram usadas, seja pelos proprietários seja por inquilinos. Esse não é um fenômeno sem precedentes. Pelo contrário, é bastante comum em cidades abruptamente envolvidas por condições negativas, abrangente, previsível, mas ignorada.

Nos últimos vinte anos as administrações municipais de Cabo Frio, no executivo e no legislativo, contribuíram, com eficiência, para a deterioração do patrimônio turístico do município. Além de tornarem inutilizáveis as lagunas Maracanã e Cabo Frio, e da Lagoa de Araruama, há notícia de que alguns trechos da praia na Reserva do Peró encontram-se esgoto misturado na areia a menos de um metro de profundidade. Isso é resultado do despejo do esgoto de casas e estabelecimentos comerciais ao longo da rodovia paralela à praia, no distrito de Tamoios. Vale lembrar que aquela área é a que seria ocupada pelo empreendimento turístico proposto para a Reserva.

São duas as opções para a Região, a partir de 2017: 1) manter as atuais condições dos municípios; 2) sofrer as consequências de investimentos que não possam ser completados pelo novo prefeito, agravando ainda mais as precárias condições econômicas.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
23/08/2016

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