Cunha quer que o Brasil se ajoelhe: deveria ser afastado

Imediatamente. É decisão mais importante do que o pedido de impedimento da presidenta. Ele lembra o guarda de trânsito, corrupto, que para um motorista, puxa do bolso um livreto e começa a citar uma sequência de regras que o motorista teria descumprido.

A solução é uma só: o enfrentamento. Isso se faz transformando a força dos argumentos do guarda corrupto em sua fraqueza, ajudando-o a encontrar outras regras que não citou, até chegar a uma que diz que ele deveria solicitar o reboque do carro. Quando o motorista redige um documento onde consta que o corrupto passa a ser responsável pelo veículo, solicita que assine e lhe entrega a chave do carro, pego de surpreso o canalha tende a recuar.

O deputado estaria se comportando como o guarda. A todos desafia com seus despachos e decisões. Até mesmo o STF. E o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

A Câmara de Deputados parou.

Parou porque?

Porque um deputado federal que, por ser presidente da Câmara de Deputados, usando o Regimento Interno da casa, a Constituição e numerosas leis e outras deliberações aprovadas pelo Congresso, decidiu que o País deve voltar sua atenção para que seus interesses particulares sejam atendidos.

Sob condições normais de temperatura e pressão, como se diz na Física, Eduardo Cunha já teria sido cassado, seu processo no STF enviado para o juiz Sérgio Moro, que ordenaria sua prisão para eventual julgamento. Seria condenado, no mínimo por omitir informação à Receita Federal e outras tramoias.

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O argumento de que os valores depositados em um “trust” num banco na Suíça não se constitui de um depósito, de fato, pessoal, seria o maior embuste até agora por ele formulado. Ele mesmo reconheceu isso quando admitiu ser “usufrutuário” dos valores depositados no “trust”, associados a uma conta nominal. Seria, então, o caso de uma pessoa que tem o usufruto de uma casa localizada no exterior e recebe parte do aluguel do imóvel, afirmar não ser obrigada a incluir essa forma de usufruir de um bem, que é seu, na sua declaração de IRPF. Certo é que não pagaria imposto, mas deve declarar o bem. Isso é muito claro nas instruções para o preenchimento da declaração de IRPF.

O interessante nessa história é se ver um sem número de renomados juristas, literalmente “batendo cabeças”, como o faz o motorista e pessoas que com ele estejam debruçando-se no livreto que lhes é apresentado pelo guarda corrupto.

Quem quiser que se ajoelhe diante de Eduardo Cunha, mas é altamente improvável que consiga que o Brasil também o faça.

Falta-nos alguém de fibra que, na Câmara de Deputados, confronte Eduardo Cunha. Infelizmente, pelo que se tem assistido, a maioria dos deputados já teriam se ajoelhado diante dele. Alguns até mesmo teriam rastejado.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
12/12/2015

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