Dinheiro embaixo do colchão e o fundo do poço, um buraco quase negro (Ed. 28/07)

Cobra, codinome do ex-presidente do BB e da Petrobrás no setor de pagamento de propinas da Odebretch, teria guardado, em casa, embaixo do colchão, a propina de 3 milhões que teria recebido. Tem-se que aguardar os detalhes da prisão e o que foi aprendido na casa do Cobra.

Confirmado: foram encontrados 200 mil reais embaixo do colchão da cama de Cobra. Cobra fede. O manto fedorento do Estado cobre o Brasil. O Estado se desmanha.

O presidente, para fazer caixa, não teria o pudor de sugerir propostas indecentes, como é o caso do Programa de Demissão Voluntária de funcionários públicos. A sugestão é cretina e imbecil e, por óbvio, não surtirá efeito. A idéia é a de que cinco mil funcionários iriam aderir ao programa. Nada mais idiota. Imagine-se um funcionário da prefeitura de Cabo Frio abrir mão de sua aposentadoria, quando receberia seu salário integral. Se o funcionário já tem 20 anos de serviço, ganha três mil por mês, só se fosse maluco aceitaria pedir demissão para receber, aproximadamente, 135 mil reais e ficar desempregado. Irá fazer o quê com os 135 mil?

Estamos todos a perguntar onde estaria o fundo poço. Um economista, numa entrevista, deu uma dica. Comentou que da força de trabalho, com cerca de 102 milhões, em 60 milhões estão os supostos 14 milhões de desempregados e 46 milhões atuando na economia informal. No saldo de 42 milhões, 25% (11 milhões) são servidores públicos. Os 31 milhões restantes estão empregados com carteira assinada.

O fundo do poço será alcançado quando esses 31 milhões começarem a perder seus empregos. São eles que, no momento, sustentam a Previdência Social (INSS) e alimentam o FGTS. Portanto, apenas 30% de uma força de trabalho de 102 milhões contribuem para o sustento do Estado. É pouquíssimo.

Continuando a roubalheira, como comprovado pelo caso do Cobra, o manto podre do Estado irá ficar cada vez mais podre.

O desemprego tende a chegar a 15 milhões, a economia informal tenderá a aumentar, a arrecadação pelo Estado irá reduzir e, de repente, o Estado não terá alternativa a não ser aumentar ou criar impostos sugando, mais e mais, os 30 milhões com carteira assinada e os 11 milhões de funcionários públicos que não contribuem para o FGTS.

A tendência é a de o Estado parar de funcionar. Fecham-se escolas, hospitais, postos de saúde, universidades (a UERJ está quase lá), escolas técnicas, polícia rodoviária (que em parte já parou), e assim por diante. Quando senadores, deputados federais e estaduais, e vereadores, começarem a despedir assessores, ter-se-á o sinal de que estaremos próximos do fundo do poço.

Não há quem consiga deter essa situação. Não adiante trocar Temer por Rodrigo Maia e eleger um presidente, indiretamente, por volta de março ou abril de 2018 (caso Temer seja afastado por seis meses). Esse presidente teria oito a nove meses para tomar medidas para que em outubro se eleja um novo presidente.

Olhe-se o quadro de políticos e pergunte-se: quem se poderia escolher? Antes, quem, no caso de uma eleição indireta, pelo Congresso, seria escolhido? A resposta seria dada à pergunta: entre deputados federais e senadores qual não seria um vagabundo que esconde dinheiro embaixo do colchão?

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
27/07/2017

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