Dilma tem que sofrer conosco até o fim

O PSDB está errado. O impedimento colocará o País numa profunda depressão. Apeado o PT do poder “Lula Nunca Mais” faria um transplante de cordas vocais para chegar a “Lula Outra Vez” em 2018. Transformaria a vida de Temer num inferno, viraria o País de cabeça para baixo com greves, marchas de protestos e invasões de terra pelo MST.

Eduardo Cunha nada tem a perder. Se iniciado seu processo de cassação ficaria impedido de renunciar. Daí a tentativa de prolongar a aprovação do relatório de admissibilidade para poder fazer o maior estrago possível até o final do primeiro trimestre de 2016. Ou alongar a crise política até ter seu destino decidido no STF. Isso poderia demorar até mesmo até o final de seu mandato. Teria, então, a oportunidade de aceitar outro pedido de impedimento, dessa vez contra Temer, apoiado pela parte do PMDB que estaria decidida a se submeter à sua vontade, e ainda com apoio do PSDB do senador Aécio Neves ainda esperançoso de assumir o poder.

Esse é um cenário bastante estranho, mas que interessaria a Eduardo Cunha que mesmo sendo réu no STF poderia se candidatar a outro mandato em 2018. Sua aposta seria chegar lá com a ajuda de parte do PT que manteria sua relação de amor e ódio com o PSDB, tantas vezes anunciada pela ex-senadora Heloisa Helena.

“Lula Nunca Mais” nos colocou numa “canoa furada” e não deveria ter a oportunidade de conseguir uma sobrevida. O PT ressurgiria das cinzas, declarando-se vítima da oposição.

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Essas são possíveis consequências da Segunda “Revolução dos Covardes” em que Eduardo Cunha estaria sendo usado pelo senador Aécio Neves, que não consegue superar a derrota em 2014.

Não se dando a oportunidade ao PT para renascer das cinzas, mantendo a presidenta Dilma até o final de seu mandato, estar-se-ia criando a oportunidade para que um estadista talvez se revele para enfrentar “Lula Nunca Mais”, numa disputa do tipo “agora ou nunca mais” para o PT.

Não se poderia descartar que o pleno do STF decida anular a sessão da Câmara de 08/12 quando Eduardo Cunha teria se aproveitado do frenesi para impor a votação secreta para a escolha dos membros da comissão que examinará o pedido de impedimento da presidenta. Teria agido de maneira pior ainda, permitindo a criação de duas chapas contendo os nomes de pretendentes a se tornarem membros da comissão.

Pareceria mera coincidência que as ações de Eduardo Cunha tenham sido tomadas no mesmo dia em que se relembrou o assassinato de John Lennon, cometido por Mark Chapman em 08/12/1980, que nele atirou quatro vezes, pelas costas. Chapman também nada tinha a perder. Só queria, como insiste em repetir, ser lembrado por ter interrompido a vida de uma celebridade. Por outro lado, estabelecida uma associação, talvez seria esse o objetivo de Eduardo Cunha: entrar para a História mesmo de uma maneira que seria infame.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
09/12/2015

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