Dilema do prisioneiro

Esse é o tipo de jogo em que o senador Delcídio do Amaral e todos os demais envolvidos na Operação Lava-Jato, já identificados ou não, já condenados ou não, se meteram.

“O Instituto Lula negou via assessoria de imprensa que o ex-presidente tenha dado as declarações” sobre a prisão do senador Delcídio do Amaral, é o que circula na imprensa. Lula teria dito que o senador fez uma “coisa de imbecil”, sentindo-se perplexo com a “grande burrada” cometida por Delcídio. O Instituto e Lula (PT) optaram pela “paga do ingênuo”, ou seja, estão dispostos a “pagar para ver”. Foi a pior escolha.

Noticia-se, também, que o senador se “descontrolou completamente” ao ser informado que o ex-presidente Lula o havia criticado na tarde de quinta-feira, 26/11. O depoimento do senador na PF teria sido interrompido. Isso, possivelmente, seria um sinal de que optaria pela “tentação de trair”, o que não seria bom para ninguém.

Qual é o problema? Lula estava num almoço na CUT, muita gente o teria escutado e poderia confirmar o que disse ou não.

Se o Instituto Lula for desmentido, virá a pergunta, “Por quê? ”. Teria sido para não revelar o destempero do ex-presidente? Teria sido para apaziguar o senador? Teria sido porque ficou com o “rabo entre as pernas”. Afinal, consta que o senador sabe de muitas coisas, algumas que já estão sendo negadas.

Se for cassado Delcídio do Amaral irá para Curitiba e, lá, poderia solicitar fazer delação premiada, coisa que seria sua única saída.

Está sendo criado um efeito dominó, algo parecido com o que aconteceu com a Máfia nos Estados Unidos. Conseguindo delatores, toda vez que um deles mentia, não se confirmando alguma delação, sua pena era aumentada. Quando era confirmada a pena era reduzida. E assim criando o efeito dominó, númerosos mafiosos foram presos, sem a oportunidade de também fazer uma delação premiada. Talvez coisa assim teria acontecido com Pedro Correia que acusado de 568 crimes de lavagem de dinheiro, a cada crime correspondendo uma pena de três a 18 anos, terminou recebendo uma pena de pouco mais de 20 anos. Pareceria não haver dúvida de que se beneficiou com suas delações. Foi a melhor escolha, para seu caso, mas demorou. Foram, também, as escolhas de Paulo Roberto Costa e Fernando Soares, o Fernando Baiano. Suas penas foram pesadas, mas foram os primeiros, e estão em casa.

Se cassado e enviado para Curitiba o senador Delcídio, que seria uma “enciclopédia”, poderia contar mais do que o PT e, talvez, outros partidos, gostariam que fosse revelado.

O senador seria um tipo de “name dropper”, alguém que alega ter conhecimentos e contatos que, na verdade, não tem. Como já desmentiu não ter feito os contatos que afirmou ter feito, irá para Curitiba com sua credibilidade comprometida, ficando na situação semelhante à de um delator da Máfia: a única saída é fazer delações que sejam confirmadas.

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Haveria pouquíssima possibilidade de que o senador seja liberado, havendo uma grande possibilidade de que perca seu mandato. Para ele seria um jogo de soma zero.

Com uma pena pré-estabelecida, não pode se arriscar a tê-la acrescida para cada delação que não venha a ser confirmada.

Na quarta-feira o PT manifestou em uma nota que não poderia oferecer solidariedade ao senador. No dia seguinte, com as supostas agressões verbais de Lula, a reação do senador poderia ser interpretada como um tipo de “Se segura Lula. Se segura PT, porque se eu falar não vai sobrar pedra sobre pedra”.

A negação do Instituto Lula poderia ser um sinal de que “enfiou o rabo entre as pernas”, numa tentativa de apaziguar a ira do senador. Consta que o senador seria um assíduo frequentador do instituto.

Mas, ao que parece, por ter sua credibilidade questionada, ao senador só restaria a alternativa de “dizer a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade”.
Te segura PT?

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
27/11/2015

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