Cunha seria “di menor”

Fala demais e quem fala demais acaba se atrapalhando, caindo em contradições, inventando. Falta, agora, dizer que é “di menor”. Preferiu dizer que tinha um cartão da conta da mulher porque era “dependente” dela. Fez um jogo de palavras, querendo confundir, tentando demonstrar haver diferença entre “cartão de conta bancária conjunta” e “cartão de conta bancária de dependente”. Acontece que o que vale é a função que se dá ao cartão, e à conta, como se a terminologia bastasse para justificar que à apenas sua mulher foi exigida informar ao BC a existência da conta. O mais comum é um homem ou sua mulher abrir uma conta e listar como “dependentes”, a mulher (ou o marido), filhos menores de 21 anos, maiores de 21 anos, filho adotivo, parente, avô, avó, etc. É cobrada uma taxa de manutenção de cada cartão. Resumo: esse tipo de conta nada mais é do que uma “conta conjunta”. Ninguém perguntou, na Comissão de Ética, por qual razão Cunha desistiu de seu cartão.

Cunha vai acabar enrolado numa camisa de sete varas. Disse ele que na segunda-feira, 23/05, irá voltar ao eu gabinete na Câmara e, como disse o PGR, “o problema é dele”.

Até agora Cunha tem conseguido intimidar quem o questiona. Ontem chegou a bater a mão da mesa, várias vezes. Esse tipo de desafio terminará qualquer alguém o enfrentar dando um murro numa mesa. Basicamente, todo indivíduo autoritário, se intimida quando é enfrentado com violência. Acovarda-se, recua e foge.
Talvez o STF ponha um fim aos desafios. “Afastado da função de deputado federal e da presidência da Câmara” sua presença em seu gabinete será um deles que, espera-se, o Supremo não deveria tolerar. SMJ, ocupar o gabinete implicará em “reassumir a função de deputado federal”. Ali faria uso de todos os benefícios que o cargo lhe faculta.

Por estranho que possa parecer Cunha parece estar “pedindo para que alguém o obrigue a parar”, como um assassino em série começa a deixar pistas que facilitam a sua captura.

Cunha está tão envolvido em manobras, artimanhas e recursos relativos a vários processos que o esforço pode estar a lhe exigir o aumento, cada vez mais intenso, para manter tudo sob controle. O abandono do tal “cartão de dependente na conta da mulher” já seria um indicador. Que razão haveria para desistir de um cartão que poderia ser legalmente usado? Não deixa de ser estranho e, se indagado, a resposta de Cunha, talvez, seria muito simples: “Porque quis.

Como advertiu um deputado, o melhor seria renunciar a presidência da Câmara, mas isso é, na verdade, secundário. O importante é manter o foro privilegiado para não parar numa cela em Curitiba. Lá, o “buraco é bem mais embaixo”.

Por outro lado, se for preso pelo STF, será abandonado e uma delação premiada a que será obrigado a fazer poderia ser mais devastadora do que a de Delcídio do Amaral. Fim de linha.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
20/05/2016

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