Crianças numa loja de brinquedos

Como num governo de coalizão. O dono da loja conversa com cada bando de crianças e mostra-lhes onde estão os brinquedos que possam gostar.

A relação é de um brinquedo para cada grupo de dez crianças, do que resulta a insatisfação generalizada.

Algumas crianças procuram o dono da loja para reclamar de injustiças, de favorecimento de um bando, o que é negado. Os bandos se reúnem para discutirem a possível troca de brinquedos, uns mais vistosos do que outros.

Alguns bandos conseguem se apoderar de um grande número de brinquedos enquanto outros só têm um e talvez até, nenhum.

Os encontros são constantes e todos giram na questão da distribuição dos brinquedos.

Membros de alguns bandos de crianças são mais próximos do dono da loja e o ajudam na resolução de conflitos.

Crianças de um bando trocam de bando insistindo em levar consigo o brinquedo que havia conseguido e negocia essa vantagem para conseguir acesso a outro bando que lhe oferece vantagens que outros bandos não podem oferecer.

Essa é uma imagem do atual “governo de coalizão” do presidente Temer, as explicações de como funciona devendo ser repetidas pelo ministro-chefe da Casa Civil para serem gravadas, cópias feitas, embaladas em caixas de plástico para distribuição na Câmara de Deputados, no Senado, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores.

Completada a tarefa se começará a discutir onde conseguir dinheiro para pagar os salários de funcionários públicos, mas todo mundo atento, pelo menos no estado do Rio de Janeiro, para impedir que o governador Pezão consiga usar a verba destinada para pagamento de precatórios para pagar os salários de dezembro e o 13º de 2016. E janeiro de 2017, claro.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
17/02/2017

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