Confronto em Macaé expõe o aumento da violência no interior do Rio

Operação de guerra terminou com um policial morto nesta semana

O confronto violento entre policiais e traficantes nesta semana em Macaé mostrou, na prática, o que os números já estavam avisando: a escalada de violência está crescendo no interior do Rio e apavorando os moradores. A operação de combate ao tráfico de drogas no bairro Lagomar na terça-feira (9) terminou com um policial morto, evidenciando o poder de fogo dos criminosos.

O dia de terror começou com um confronto entre grupos rivais que tentam controlar o tráfico na região do Lagomar. A Polícia Militar interveio e um policial foi baleado. O cabo José Renê Araújo foi socorrido pelos colegas mas não resistiu. A PM chamou reforço. Ao todo 100 policiais participaram da operação que teve auxílio de dois helicópteros, veículos blindados e o “Caveirão” do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

O transporte parou de circular e o comércio foi fechado às pressas. Seis suspeitos foram baleados e um deles morreu. Quatro foram presos e um foi internado no Hospital Público de Macaé (HPM).

“Foi um terror. Nunca vi um tiroteio tão grande. Fiquei apavorada porque as crianças estavam na escola e a rua estava um caos. Deu muito medo. Graças a Deus elas chegaram bem”, disse uma moradora do Lagomar que prefere não ser idenficada.

O transporte coletivo voltou a circular na madrugada de quarta-feira (10). Por orientação das autoridades de segurança pública, após cinco coletivos serem incendiados, sendo três destruídos totalmente e dois parciais, os carros foram recolhidos no fim da tarde de terça. Como medida de segurança para os usuários do transporte público, os ônibus realizam paradas em locais diferentes dos de praxe.

Nesta quarta o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio, anunciou medidas para restaurar a normalidade na rotina da cidade. “A segurança pública é uma estratégia das forças policiais, mas o poder público tem a responsabilidade moral de atuar com a união dos esforços para o bem da população. A ideia é informar a verdade. Colocamos os agentes municipais de segurança em pontos estratégicos para o reforço de áreas públicas, como unidades de saúde e terminais de transporte”, afirmou o prefeito.

Crescimento no número de homicídios

No último fim de semana o jornal carioca Extra publicou uma reportagem noticiando que a taxa de homicídios na Região dos Lagos e Baixada Litorânea teve grande aumento, ultrapassando até mesmo a Baixada Fluminense, região considerada como violenta no estado do Rio. “A escalada na violência é tanta que, pelo terceiro ano consecutivo, a região registrou mais assassinatos para cada cem mil habitantes do que a Baixada Fluminense, tida como uma das áreas mais inseguras do Rio”, diz a reportagem.

Os dados do Instituto de Segurança Pública mostram que, no ano passado, quatro cidades da Região dos Lagos ficaram entre as 10 do estado com maior número de homicídios: Araruama, Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo.

Segundo a Polícia Militar, o crescimento no número de mortes violentas está ligado ao tráfico de drogas. A PM afirma que vem aumentando a quantidade de prisões e apreensões de armas de fogo para combater a atividade criminosa. Veja abaixo a nota emitida pela PM.

“A elevação das taxas de homicídios em cidades da Região dos Lagos, assim como em outras áreas turísticas do estado, está relacionada à estruturação do tráfico de drogas. Qualquer ocupação de território para prática ilícita ocorre de forma violenta, resultando em.

De acordo com o Comandante do 25º BPM (Cabo Frio), Coronel André Henrique de Oliveira Silva, mais de 90% dos homicídios ocorridos nas cidades sob sua jurisdição têm relação com a disputa por pontos de venda de drogas. Hoje, na região, há duas facções criminosas disputando território. Para ilustrar o cenário, vale lembrar que em 2017 foram aprendidas 276 armas de fogo, entre as quais dois fuzis, e foram efetuadas 1580 prisões de criminosos e 447 apreensões de menores envolvidos em atos violentos.

Apesar dessa constatação – cuja reversão não depende apenas da Polícia Militar – houve uma queda na taxa de homicídios entre 2016 e 2017 de 16% na AISP 25. A redução dos indicadores de letalidade violenta é reflexo do trabalho contínuo e cada vez mais integrado com a Polícia Civil.”

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