Como empregar 23 milhões de pessoas?

Todos no setor privado, que deve ser remontado. E em quanto tempo? A situação é escabrosa. O IBGE informou que neste final de novembro o Brasil tem uma população de mais de 206 milhões habitantes, 51% deles, ou 106 milhões, com idade entre 15 e 65 anos, são economicamente ativos (PEA=pessoas economicamente ativas), incluindo ocupados e não-ocupados. Essa é a nossa atual “força de trabalho”. Toda vez que alguém completa 15 anos entra nessa categoria.

O IBGE informou nesta semana que 83 milhões pessoas estão ocupadas, 12 milhões estão desocupadas, seis milhões estão subocupadas e cinco milhões são consideradas candidatas a ingressarem na força de trabalho ocupada. Totalizam os 106 milhões.

Resumo da encrenca: 83 milhões de habitantes têm renda para comprarem o pão de cada dia e 23 milhões não têm. A tal taxa de desemprego, que é comumente mencionada, se aplica aos 12 milhões de desocupados, ficando de fora os 11 milhões de subocupados e os cinco milhões que poderiam fazer parte da PEA.

Os cinco milhões de candidatos incluem o jovem que completou 15 anos e o que completou um curso superior. Continuam vivendo com os pais, enviando pela Internet currículo vitae, na esperança de receber uma oferta de emprego. A maioria desiste, e se o jovem tem 15 anos ou mais e não deseja continuar com seus estudos, ou vai para rua para atazanar a vida alheia ou fica em casa jogando vídeo game na Internet.

Esse grupo de 23 milhões nunca antes chegou a tal total.

A chamada PEC241 é a emenda constitucional que busca resolver o problema daqueles 23 milhões: os 12 milhões de desocupados, os seis milhões de subocupados e os cinco milhões que gostariam de serem assimilados pela força de trabalho ocupada, que aumenta dia-a-dia, semana-a-semana, mês-a-mês e de ano-a-ano, aguardando que os setores público e privado façam alguma coisa para resolver seus problemas: precisam de emprego.

Tendo-se conhecimento dessa situação é fácil concluir que os estudantes que ocupam escolas como forma de protesto contra a PEC241, protestam contra si mesmos. A esmagadora maioria tem mais de 15 anos e se resolvessem parar de estudar, ao fazê-lo não irão encontrar emprego justamente porque querem impedir que uma alternativa para tirá-los da condição atual vá adiante. È como continuar a aumentar a profundidade do buraco onde estão.

Não há indícios de quando o esforço para resolver o problema dos 23 milhões irá ser iniciado. No momento há muito falatório, mas nenhuma ação.

No setor público nota-se um movimento para evitar que seja a alternativa mais atraente, promovendo a redução do número de funcionários públicos, em suas três esferas, programas de aposentadoria voluntária (PAV) e proibição de realização de concursos para ingresso no setor público.

O PEA de 12 milhões no setor público não gera PIB, a carga recaindo nos 71 milhões no PEA no setor privado que devem gerar empregos para acomodar os 12 milhões de desocupados, seis milhões de sub-ocupados e cinco milhões que irão entrar na força de trabalho. O PEA no setor privado deverá chegar a 94 milhões de pessoas gerando PIB, coisa que depende da possibilidade do setor fazer isso por conta própria ou em parceria com o Estado (PEA no setor público que deve se estabilizar em 12 milhões de servidores).

O governo federal, além de promover as aposentadorias voluntárias, promove a venda de ativos, como os, da Petrobras. Possivelmente irá vender as mais de 400 agências do Banco do Brasil. Os ativos que, em parte, o BNDES e a CEF controlam, deverão, também, ser vendidos. Todo o esforço é o de aumentar o caixa do Tesouro Nacional.

Os investidores estrangeiros, com razão, aguardam com desconfiança a eficácia das ações que resultarão do PEC241. A intromissão do setor público nas atividades do setor privado culminou com a depressão econômica que o País enfrenta e, muito provavelmente, a criação daqueles 23 milhões de empregos dependerá da recuperação das atividades do setor privado usando recurso próprio.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
24/11/2016

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