Como Dilma, Lula não gosta de delatores

As de Dona Dilma e de Lula são as únicas vozes que se manifestam contrárias à maneira como são conduzidas as investigações lideradas pelo STF, PF e MPF. Isso sim é muito estranho, comportamentos de quem tem coisas a esconder.

Quer dizer, então, que para esse que seria o “perfeito idiota” de Bernard Shaw, não deveria haver as adjetivações, ativo e passivo, para o substantivo e adjetivo “corrupto”?

Que a Petrobrás não deveria admitir o roubo de R$6,2 bilhões, coisa que só veio à luz porque forçada pelas histórias que Paulo Roberto Costa contou? Um valor que, segundo alguns, pode ser o triplo?

Quer dizer, então, que para esse que seria o melhor exemplo de “perito em tráfico de influência” na História do Brasil, ninguém deveria vir a saber de que maneira enriqueceu?

Quer dizer, então, que para esse que seria o idealizador da maneira como o assalto à Petrobrás foi planejado, segundo seu antigo amigão Pedro Corrêa, num encontro em seu gabinete quando era presidente da República, não deva ser investigado?

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Quer dizer, então, que a polícia não deveria se empenhar em confirmar ou desdizer os relatos do doleiro Alberto Youssef que afirma ter entregue ou ordenado entregar sacolas e malas estufadas com dinheiro vivo ao tesoureiro do PT, o agora notório João Vacari Neto? Dinheiro que havia sido desviado de pagamentos feitos pela Petrobrás às empreiteiras envolvidas em obras da empresa? Dinheiro do povo, inclusive dos que são beneficiados por programas de natureza social idealizados por ele, “o cara”, segundo Obama?

E quem disse que são heróis os dois delatores citados acima, e mais os quase 30 outros delatores que contam histórias escabrosas sobre como dinheiro que pertence ao povo brasileiro era desviado e ilicitamente apropriado por vigaristas, safados e salafrários, todos, direta ou indiretamente, ligados aos partidos, da base aliada ao governo e, também, da oposição? Esses delatores estão mostrando que o Brasil passou a ser “uma casa em que todo mundo manda”. O melhor exemplo de “Zorra Total”.

O desacordo, tanto da Dona Dilma quanto de Lula, está parecendo uma tentativa de desmoralizar o esforço da Justiça em esclarecer de que maneira o Brasil vinha e vem sendo pilhado nos últimos 12 anos, quiçá mais.

Se não gostam de delatores, que sugestão dariam para que se desvende de que maneira esse País se meteu num atoleiro ao longo dos últimos 12 anos e 10 meses em que o governaram?

A verdade é que Bernardo Shaw deveria ter-se referido à dois e não à, apenas, um, “perfeitos idiotas”.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
04/10/2015

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