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Morre Fador Sampaio, o promotor criminal com fama de durão

fador2Fador Sampaio

Com mais de 1.000 júris em seu currículo, o promotor atuou no Ministério Público desde 1972, sem nunca deixar de pagar a anuidade da Ordem dos Advogados, cultivando com a entidade uma relação de amizade e respeito.

O promotor tornou-se uma referência para a Justiça na Região dos Lagos, e tem reconhecimento público como reserva moral da cidade de Cabo Frio por sua atuação rígida, contumaz, mas sempre justa e humana, na defesa dos direitos dos cidadãos.

Pretigiado pela OAB Cabo Frio, deu nome à uma turma de novos advogados, e recebeu Diploma de Mérito da entidade. Chamado para receber a homenagem das mãos de dois ex-presidentes da casa, Newton Carneiro e Gildo Fabiano, Fador não conseguiu esconder a emoção: “Só posso atribuir essa homenagem à amizade de vocês”, disse emocionado.

“Mesmo sendo promotor, eu me considero um advogado. A minha vida toda foi atuando como advogado criminalista. Desde o primeiro ano da faculdade na UFF, quando fui trabalhar com um professor de Direito Penal na antiga Guanabara, onde fiquei por cinco anos. E depois que me formei, trabalhei mais cinco anos como advogado criminalista. Em 72 fiz concurso para o Ministério Público, onde estou há 42 anos, mas nunca deixei de ser advogado. Devo tudo à advocacia, meu patrimônio foi conquistado através da advocacia”, ressalta Fador.

Na ocasião, o promotor contrariou a fama de enérgico e intransigente mostrando o lado humano que garantiu a ele o respeito de todos que precisaram enfrentá-lo nos embates jurídicos. “Sempre tive um bom relacionamento e uma amizade bem estreita com os advogados porque eu me considero, sempre me considerei, e vou me considerar sempre, um advogado. Antes de ser promotor eu fui advogado. Eu entendo o sofrimento, a angústia do advogado, por isso tenho esse carinho especial no tratamento, na convivência com os advogados”.

Fador disse, em seu discurso, que é preciso conviver com a figura do promotor rígido sem perder de vista o aspecto humano. “Se o pintor não ama o seu modelo de nada vale o retrato. A gente odeia o crime, mas tem que amar o criminoso. Sempre tive que fazer essa distinção. Na atividade funcional tive que cumprir o meu dever com energia, porque assim a sociedade o exige, mas antes de tudo eu via no criminoso a figura como a figura de Jesus”.

 

fador1Fador Sampaio recebe homenagem na OAB Cabo Frio

Sempre advogado

O ex-presidente e Conselheiro OAB/Cabo Frio, advogado Newton Carneiro, conta que Fador Sampaio foi um promotor combativo, que não se resumia ao trabalho do escritório e que nunca aceitou deixar Cabo Frio. “Ele conhecia a comunidade dele como a palma da mão. Várias vezes recebeu proposta de promoção, poderia ser um desembargador hoje, mas nunca quis sair de Cabo Frio”.

O advogado reafirma o lado humano do promotor, que participou de júris glamourosos, como o de Doca Street. “Ele sempre foi um promotor que, embora muito austero, nunca deixava de cumprimentar os advogados nos corredores. Sempre convidava a gente para tomar café na cantina do fórum, mas era ele que pagava. Nunca deixou ninguém pagar nada para ele”, relembra.

Newton diz que “o crime, na época em que ele era promotor, era muito combatido. É pena que tenha se aposentado. Fador Sampaio poderia tranquilamente, por sua competência, ocupar uma secretaria estadual de Justiça ou Segurança”, afirma.

(Artigo publicado originalmente no jornal Direito & Cidadania)

 

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