Búzios ensina o be-a-bá do turismo

Búzios ensina o be-a-bá do turismo
Búzios ensina o be-a-bá do turismo

Búzios ensina o be-a-bá do turismoOrla Bardot, Búzios/RJ (Gonzalo Arselli)

Balneário tem sido protagonista de ações que resultaram em benefícios sólidos e continuados para o negócio do turismo.

Aproveitar as oportunidades espontâneas, e criar novas, tem sido a receita de Búzios para sair da condição de aldeia de pescadores e se transformar no maior porto turístico do país, segundo parque hoteleiro do estado do Rio de Janeiro e um dos destinos mais procurados por turistas estrangeiros, segundo a Embratur. Isso, sem perder o charme de aldeia, apesar da pressão imobiliária sobre as áreas ainda vazias.

Assim, o gracioso balneário cultua a eterna presença de Brigitte Bardot e não perde nenhuma oportunidade para se promover. Num último lance, colocou-se na disputa para trazer as competições de Vela Olímpica para a cidade, ganhando destaque nos noticiários nacionais e internacionais e garantindo de antemão que, mesmo que as Olimpíadas não venham, os turistas captados por essa imensa mídia espontânea, virão!

Hoteleiro Thomas Weber é pioneiro em ações que valorizaram o turismo em BúziosO hoteleiro Thomas Weber, presidente da Associação de Hotéis de Búzios, é um dos expoentes na luta pela valorização e qualificação do turismo no balneário e presença obrigatória em todos os acontecimentos e entidades que representem o setor de hotelaria e turismo na cidade de Búzios.

Nascido na Alemanha, o empresário está no Brasil desde 1966. Ele conta que voltava todos os anos para o país e, mais tarde, nos anos 80, retornou para estudar hotelaria. “Conheci Búzios em um feriado, em 1978, e compramos com amigos a pousada Byblos, em 1981. Desde então, me dediquei a esta apaixonante atividade, que é o turismo”, enfatiza Thomas.

Para ele, alguns fatos foram determinantes para o desenvolvimento do turismo na Região como um todo, e não apenas em Búzios. “A vinda de Brigitte e outros famosos nos anos 60, a construção da Ponte Rio – Niterói nos anos 70, foram marcos importantes. Em Búzios, os investimentos do grupo Modiano na área da Marina Porto Búzios, incluindo Golf, Marina, Aeroporto, hotel Nas Rocas. Este último, utilizado como locação para a novela Vale Tudo, que trouxe grande divulgação para a cidade”, comenta.

Sorte? Intuição? Planejamento? Afinal o que move esse comportamento hoje incorporado à cultura da cidade e que movimenta a economia do município? “Creio que em Búzios tivemos uma grande sorte. Moradores, arquitetos, engenheiros, ambientalistas, comerciantes, políticos, famosos, investidores, etc, já nos anos 70, tinham certeza que a cidade poderia ter um desenvolvimento ordenado e com certo foco preservacionista e diferenciado. As conquistas superaram as derrotas nestes focos”, diz Thomas.

Mesmo antes da emancipação, a Associação dos Hotéis já realizava eventos de divulgação da cidade no Brasil e no exterior. “No inicio dos anos 90, conseguimos implementar um transporte regular entre o aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, direto para Búzios. Isto, nos colocou como opção de destino turístico. Até aquele momento, éramos opcional do Rio de Janeiro. Com este serviço, os turistas começaram a fazer reservas para estadias de 05, 07 ou mais noites”, explica Thomas, complementando, “ após a emancipação, os trabalhos de divulgação foram intensificados, ficando a prefeitura responsável pela parte institucional e a iniciativa privada pela parte comercial”.

O hoteleiro acredita que para desenvolver o turismo na Região dos Lagos será preciso pensar na construção civil, na ampliação dos serviços turísticos, na melhoria da infraestrutura e da legislação e um incremento nos investimentos de divulgação.

Ele defende a união entre os municípios para promover a região como um todo. “ Entendo que Arraial, Búzios, Cabo Frio (existe uma trabalho privado do ABC do Sol) e São Pedro, devem caminhar juntos em muitas ações. Somos cidades complementares. As eventuais diferenças políticas das autoridades, devem ser sobrepostas pelas iniciativas privadas positivas, que deveriam ser apoiadas pelas autoridades. Já tivemos ações conjuntas de divulgação em feiras. Acho que deveria ser uma constante o planejamento e a execução de trabalhos conjuntos”, finaliza Thomas.

 Jeito de aldeia e chancela de maior porto turístico do Brasil

Navios em Búzios (Sérgio Quissak)

No ano de 2010, eram tantos transatlânticos querendo aportar em Búzios, que a prefeitura precisou intervir, diminuindo o número de fundeios diários para apenas dois a partir da temporada de 2011.

Essa movimentação de cruzeiristas transformou a pequena aldeia de pescadores no maior porto turístico do Brasil. O feito, é fruto do trabalho do empresário Carlos Eduardo Bueno (Cadu), presidente da Brasil Cruise – Associação Brasileira de Terminais de Cruzeiros Marítimos, e proprietário do píer Porto Veleiro, um dos dois terminais de desembarque de transatlânticos da cidade.

Com a nova Legislação dos Portos (Lei nº 12.815 de 05/06/2013) que criou o Regime de Concessão da União para a Operação de Terminais, mais uma oportunidade se apresentou, e a cidade não perdeu. Cadu Bueno se antecipou e apresentou pleito para obter a concessão de um IPT (Instalação Portuária de Turismo) em Búzios em seu cais, que já se encontrava regulamentado.

“A União publicou editais para as regiões onde havia interesse em construir ou legitimar Terminais Turísticos existentes. O Porto Veleiro cumpriu todas as exigências ao longo de 4 anos e sete meses de processo, e teve suas instalações homologadas com TUP – Terminal de Uso Privativo – IPT- Instalação Portuária de Turismo”, explica Cadu.

Empresário Cadu Bueno é responsável pela expansão do turismo de cruzeiros marítimos no balneá

Com isso, Búzios passou a ser uma das duas únicas cidades do Brasil a contar com um terminal turístico oficial, reconhecido pela União e apto para as operações de turismo náutico, receptivo de navios e marina de passagem. “Búzios, junto com Porto Belo, são os únicos terminais legais do Brasil. Também são os únicos regidos e inspecionados exclusivamente pelo Governo Federal”, informa o empresário.

A novidade também vai possibilitar o acesso a recursos, via BNDES, de linhas de credito do Fundo Nacional De Marinha Mercante para obras de reforma e ampliação do terminal. “Os recursos são incentivados com prazos de carência para pagamento e juros subsidiados , pois o governo objetiva a expansão da estrutura portuária brasileira”, diz Cadu.

O projeto de ampliação do pier que, segundo Cadu, já tem a aprovação dos órgãos ambientais e da Marinha, faltando apenas a cessão do espelho d’água pela SPU (Secretaria do Patrimônio da União), contempla a extensão do cais em mais 85 metros além dos 35 existentes. “Mesmo assim, será em o 3º cais de Búzios em extensão, menor que o de Manguinhos e o próprio cais do Centro”, adianta.

Com a expansão, a expectativa é de que o balneário possa receber mais do que dois navios por dia – número limite permitido atualmente -, além de lanchas e iates de grande porte.

O negócio dos navios

Polêmica entre pescadores, ambientalistas, hoteleiros e comerciantes, o desembarque de cruzeiristas em Búzios é mais um ponto forte do negócio do turismo e representa um adicional de receita que a cidade não pode mais abrir mão. Em sete temporadas (2008 a 2014), apenas o cais do Centro, um dos dois píers da cidade, administrado pela prefeitura e com menor capacidade de desembarque, arrecadou perto de R$ 6,5 milhões.

Estudo realizado na temporada 2009/2010 pela UERJ, por solicitação da Associação Comercial de Búzios, sobre o impacto econômico dos cruzeiros marítimos em Búzios apontou que 95% dos passageiros a bordo nos navios desembarcam em Búzios, o que representa o segundo maior índice de descida das escalas na costa brasileira.

A pesquisa sinalizou também que o turismo proveniente dos cruzeiros marítimos produz significativo impacto econômico em Búzios, com uma movimentação de R$ 89,8 milhões na temporada pesquisada, o que correspondeu a um gasto por passageiro/dia, da ordem de R$ 238,00. O estudo também mostrou que é relevante a intenção de retorno à cidade. 97,5% dos pesquisados disseram que pretendem retornar ao balneário.

Niete Martinez

{slider Leia Também}

Entrevista com o ex-secretário de Turismo de Búzios Isac Tillinger

“ Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidade “

{/sliders}

{loadposition facebook}

COMPARTILHAR