Búzios é modelo de indústria hoteleira para Cabo Frio

Buzios Brazil 2
Pequena Búzios tem o segundo maior parque hoteleiro do Estado do Rio de Janeiro

Buzios Brazil 2Rua das Pedras, Búzios /RJ (Gonzalo Arselli)

Duas cidades vizinhas, com a mesma vocação turística e belezas naturais que atraem visitantes de várias partes do país e do mundo. Embora sejam, ambas, os principais destinos de milhares de visitantes na alta temporada, Cabo Frio e Armação dos Búzios destoam entre si em dois pontos fundamentais: o número de habitantes e o setor de hospedagem. Enquanto a primeira, com quase 200 mil habitantes, ainda começa a dar os primeiros passos em direção à consolidação de uma rede hoteleira forte e consistente para a demanda que o município não pára de exigir, a segunda, com uma população que corresponde a 1/8 da cabofriense, já é considerada exemplo de desenvolvimento e crescimento para toda a Baixada Litorânea, quiçá Estado do Rio de Janeiro.

Distrito do município de Cabo Frio até 1995, Búzios possui, atualmente, 315 hotéis e pousadas e, aproximadamente, quatro mil apartamentos, somando um total de 10 mil leitos. Segundo o presidente da Associação de Hotéis e Pousadas e do Sindicato de Hotéis, Bares e Similares (SindBúzios), Thomas Weber – empresário do setor e residente no balneário há 30 anos – a expansão da rede de hospedagem local se dá de forma progressiva: a cada ano, verifica-se um crescimento entre 10% e 20% de hotéis, pousadas e resorts instalados na cidade. Ainda de acordo com Weber, 60% dos empresários ainda estão focados nos visitantes de médio e alto poder aquisitivo, embora esta realidade já esteja mudando na cidade:

“Búzios tem uma diversidade muito grande de hospedagem, sempre de acordo com o que busca o cliente. Temos hotéis e pousadas que trabalham com R$ 1.800 de diária, mas também aqueles que cobram R$ 50. Não temos apenas um tipo de turista que chega à nossa cidade. Nossa meta é, sempre, atender muito bem todo visitante que escolhe Búzios como destino”, disse ele.

Para Weber, o apoio do Governo Municipal e a participação ativa da associação são fundamentais para concretizar o sonho de ver o setor cada vez mais aquecido. Citando Cabo Frio como “o início de tudo”, ele só lamenta a tímida participação de hoteleiros e empresários cabofrienses na expansão do segmento.

“Tudo relacionado ao turismo buziano é feito em conjunto pela secretaria municipal, associação de hotéis e pousadas e pelo Convention Bureau. Esta é uma parceria que vem dando certo há muitos anos. Temos participação ativa e, juntos, vamos discutindo o calendário de eventos da cidade, as feiras e eventos internacionais dos quais a cidade vai participar e o direcionamento que se dará para o setor a cada avaliação. Neste momento, por exemplo, temos realizado encontros entre representantes de cada uma destas esferas para detalhar o planejamento para 2012”, afirmou ele, destacando que a secretaria de Turismo da vizinha Cabo Frio foi a principal agente do divisor de águas vivido pela hotelaria buziana.

“Antes da nossa emancipação, no início dos anos 90, a Prefeitura de Cabo Frio foi nossa interlocutora nas ações que guiaram o desenvolvimento da hospedagem buziana. Nossa história de expansão começa com o apoio de Cabo Frio. Não entendo como os hoteleiros cabo-frienses se encontram, hoje, nesta postura passiva. Acho que falta iniciativa da associação de hotéis local para impulsionar e cobrar dos empresários locais mais atividade e empenho”, complementou o presidente da Associação de Búzios.

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Falta mobilização em Cabo Frio

Atuante no ramo e eleita há menos de um ano para a presidência da Associação de Hotéis e Pousadas de Cabo Frio, Alda Cunha diz concordar com a opinião de Weber. Segunda ela, cuja gestão vai até dezembro de 2012, a realidade da hotelaria na cidade praiana mostra uma necessidade (urgente) de reformulação do setor. Com apenas 98 estabelecimentos registrados (somando dois mil leitos), a associação tem uma diagnóstico perturbador: não há preparação para a grande demanda futura que já sinaliza com a proximidade de grandes eventos esportivos no Rio de Janeiro e com o veloz crescimento das atividades no aeroporto internacional da cidade. De acordo com a presidente, a meta é “fazer uma mudança radical na hospedagem de Cabo Frio”, objetivo para o qual a secretaria municipal de Turismo tem dado apoio incondicional.

“Minha meta é abrir mercado e, em 2012, ter uma participação mais agressiva no setor. Temos conseguido muita ação positiva com a ajuda da Prefeitura, que sempre nos convida para reuniões e nos remete a pesquisas de satisfação de clientes. Com isso, para o ano que vem, já temos convite para feiras em Portugal e vamos trabalhar o destino Cabo Frio no Chile, Uruguai e na Argentina”, afirmou ela, destacando que a principal preocupação, hoje, é mostrar aos empresários locais que a profissionalização da mão-de-obra também deve ser um ponto essencial no crescimento de cada negócio.

Segundo a presidente, “a movimentação” neste sentido é quase nula: “Queremos aumentar a comunicação com o setor em 2012, elaborando metas e conscientizando que, se não houver união, são os próprios donos de hotéis e pousadas que sairão perdendo. Os hoteleiros em Cabo Frio ainda não perceberam o que está por vir, tanto em termos de concorrência, com a instalação de hotéis e resorts de luxo, quanto de clientela. Nosso papel, enquanto associação, é convidá-los a fazer a sua parte e, para isso, realizamos reuniões mensais para sócios e não-sócios e incentivamos a participação dos mesmos em feiras como ABAV e FIT. Queremos conseguir o movimento e o prestígio que Búzios tem, um exemplo de hospedagem para nós”, disse ela.

Por Vanessa Campos

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