Brincadeira tem hora

Estaríamos acompanhando o início do fim  e o ministro Cardozo deveria começar a negociar com o STF. Dona Dilma pegou o rumo errado. Poderia requerer ao STF para esclarecer, com precisão, as razões para o pedido de seu impedimento. Preferiu usar seus cinco minutos na ONU para denunciar estar em curso um “golpe” contra ela, encabeçado pelo seu vice, Michel Temer, para quem irá passar o cargo quando viajar.

Brincadeira tem hora. Essa queixa poderia ter sido feita, há bastante tempo, na OEA.

“Roupa suja se lava em casa”. Que consequência terá a denúncia? Nenhuma, a não ser que espere que a ONU constitua uma equipe de observadores para acompanhar o processo no Senado, disso também não resultando alguma consequência.

O PT voltou à estaca zero anunciando ficções ou fazendo ameaças. Uma ficção foi o anúncio, no Senado, hoje, de uma nota de uma associação nacional de professores municipais que tem alegados dois milhões de membros. Que milagre teria ocorrido para que, num período de 24 horas, esses dois milhões de membros teriam concordado com o conteúdo da nota? A ameaça foi feita pelo senador Lindberg Farias: ele e Lula irão viajar pelo mundo denunciando o “golpe” contra Dona Dilma. É uma ameaça que poderia ser anunciada aos berros numa reunião da UNE, da qual o senador foi presidente. Para um senador seria mais do que ridícula. Lindberg confunde o Senado com a UNE, sua imaturidade expressa quando manifestou sua desaprovação da indicação do senador Antônio Anastasia para relator da Comissão Especial que irá analisar o pedido de impedimento da presidenta no Senado. “Cresça e apareça, garoto” seria o que os eleitores do RJ deveriam lhe dizer.

Estamos em tempos de brincadeira: 1) O deputado Eduardo Cunha condiciona destravar o funcionamento da Câmara ao andamento do processo no Senado. Estaria cuspindo para cima; 2) o governo do Estado do Rio continua sem dinheiro para pagar os pensionistas e aposentados, o Tribunal de Contas do Estado anunciando que só tomará providências depois do feriado.

Não há jeito. O governo da Dona Dilma se desmanchou. O PT, como partido, teria passado a ser uma ficção.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
20/04/2016

COMPARTILHAR