Agora é tarde

A verdade o libertaria, mas afirmou o óbvio, “não sou dono do tríplex”, omitindo que ele ou Marisa não assinou contrato de compra do tríplex com opção de desistir. Não se desiste do que não se comprou. Portanto, teria mentido quando afirmou que “exercemos a opção de desistir da compra do tríplex”.

O que existe é a desistência, assinada por Dona Marisa, em 29/11/2009, de compra do apartamento 141 no edifício Solaris, havendo o item em que declara que o valor já pago, se fosse de seu interesse, seria usado na compra de uma “unidade autônoma” no mesmo edifício. Em lugar nenhum consta que essa unidade era ou seria o tríplex 164-A.

Talvez Lula se considere intocável ou imagine que receberia tratamento diferenciado por ser ex-presidente da República. Está começando a descobrir que não é e que não receberá o tratamento que imaginaria ter direito.

As engrenagens da Justiça não param nem desistem os investigadores de encontrar a verdade.

Lula perdeu um tempo precioso desde que, em 27/01/2016, seu advogado divulgou uma nota afirmando, referindo-se ao tríplex “Eu não tenho a menor ideia porque houve uma reforma e quem fez esta reforma simplesmente porque este imóvel não é do ex-presidente Lula ou de qualquer parente do ex-presidente Lula”.

Lula teve até a segunda-feira de carnaval, 08/02, para negociar com o MP/São Paulo e a PF para contar o que sabe. Não seria uma delação: seria alguém disposto a contribuir para o esclarecimento dos fatos. Mas, em lugar disso, preferiu que se jogasse gasolina na fogueira quando em 30/01/2016 o Instituto Lula divulgou uma nota admitindo que o ex-presidente visitou o tríplex uma vez em 2014, acompanhado de Leo Pinheiro, presidente da OAS. Resultado: despertou a atenção de todos ficando no ar a pergunta: como pode alguém visitar um imóvel em reforma e não fazer uma pergunta como “de quem é esse tríplex e porque está sendo reformado? ” à quem era o responsável, o próprio Leo Pinheiro?

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A admissão desmentiu seu advogado meros três dias depois deste protestar que seu cliente de nada sabia.

Tratam-se, portanto, de verdades que Lula deveria ter se apressado em revelar, já que, agora, estão disponíveis para a Justiça uma nota fiscal de uma loja paulistana, de 12/11/2014, de compra de equipamentos para a cozinha planejada no tríplex. A nota no valor de R$78 mil foi paga pela OAS. Como é possível, agora, Lula negar uma relação entre ele, o tríplex e a OAS? Mera coincidência, poderia argumentar. Não conseguirá convencer a ninguém e uma verdade que deveria ter sido revelada será, agora, objeto de um inquérito e de longas entrevistas no MP/SP e na PF. E, evidentemente, irão suspeitar de que há mais coisas que Lula sabe, mas não quer revelar.

Há sim. Muito mais. Há, por exemplo, a reforma no sítio em Atibia que os Lula da Silva frequentavam e que se tornou de interesse do juiz Sérgio Moro.

Lula terá que se desdobrar em duas frentes: no MPE, São Paulo, e na PF em Curitiba. O desgaste será grande.

Por se imaginar intocável Lula corre o risco de passar uma temporada em Curitiba. Lá estará o “japonês da PF” para recebê-lo.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
10/02/2016

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