Aécio também não convence

O que estaria fazendo se tivesse sido eleito? Respondeu ele numa entrevista à revista VEJA (edição de 12/08/2015): “O ajuste do PSDB teria uma dosagem bem mais fraca, mas produziria resultado mais rapidamente e com impacto muito maior. A retomada dos investimentos seria imediata. O ajuste do PSDB restauraria a credibilidade. Com a volta da confiança, tudo entra nos eixos”.

O que o senador sabe não quer dizer agora e não se sabe se dirá depois. Ou se trata de uma isca para uma eleição caso a chapa Dilma-Temer seja desqualificada pelo TSE?

É válido supor que a entrevista foi dada antes do programa do PT, em 06/08, quando a presidenta afirmou: “Estamos em um ano de travessia. E esta travessia vai levar o Brasil a um lugar melhor. Estamos atualizando as bases da economia e vamos voltar a crescer com todo nosso potencial”.

A diferença entre o que um faria e o que outro está fazendo se resume à “dosagem”, ao “tempo” para que a medidas produzissem os efeitos desejados e ao tamanho do seu “impacto”. Mas, dosagem de quê? Da taxa SELIC. Do ajuste da conta de luz, da gasolina, do gás, do óleo? Quanto tempo para estancar o desemprego, reativar as atividades econômicas? Afinal, como sabe o senador que seu desempenho seria melhor?

Aquela declaração cria mais dúvidas do que certezas. O senador saberia de coisas sobre as quais não quer falar agora, o que seria uma grande contribuição se o fizesse substituindo o que seria um nhém-nhém-nhém do qual estamos cansados de saber. Ou não.

O senador afirma que a presidente mentiu durante a campanha. Como sabe? Não sabe, essa é a verdade. Descobriu como todos nós descobrimos quando a presidenta passou a fazer o oposto do que havia prometido. Seria mais honesto se o senador admitisse que sua equipe não foi capaz de detectar que a avaliação que a presidenta dispunha estava equivocada. E, sabendo disso, desmascarar a presidenta durante a campanha. Não o fez, e tanto um quanto o outro partiram das mesmas premissas no início das campanhas.

É válido também supor que o nome do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, seria enviado ao STF pelo procurador Janot. Pergunta-se: se o deputado culpasse o governo pelo que aconteceu, se declarasse que Júlio Camargo foi instruído a mentir, qual seria a reação do senador se fosse presidente?

O presidente da Câmara garante que a pauta de cada sessão é preparada pelo Colégio de Líderes. É também válido supor que seriam as mesmas se o senador fosse presidente e como em quase todas os resultados geraram aumentos de despesas do governo, o PSDB repetiria suas votações?

O senador Aécio Neves continua sendo tão vago quanto o foi durante a campanha. Teria sido muito mais fácil para sua equipe descobrir que “chumbo grosso” viria se Dilma Roussef fosse reeleita. E, sabendo disso, poderia explorar com grande vantagem essa vulnerabilidade.

É bastante difícil crer que, como presidente, Aécio Neves tivesse condições de tomar medidas menos desastrosas para o País do que as que experimentamos agora. Seu discurso não convence.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
09/08/2015

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