Abraço de afogado

É o que dizem alguns dos “entendidos” sobre o que o deputado Eduardo Cunha anda fazendo. Saberia que está só, que vai cair e quer levar gente junto. Seria o PSDB, mas isso é muito vago.

Chama atenção que cria caso por criar, em particular com o STF. Não é crível que esteja convicto do que diz: que a ele caberia especificar o tal “rito” para um processo de impeachment. Trata-se da confissão de que não leu o parágrafo único do artigo 85 da Constituição, que é cristalino: “Esses crimes [de responsabilidade] serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento”.

É óbvio que nenhum ministro do STF deveria ser incomodado para reafirmar a verdade sobre o óbvio: o tal “rito” é a lei que o Congresso ainda tem que propor, discutir, aprovar e levar para sanção pelo presidente da República.

Brincadeira tem hora e só mesmo quem tenha como finalidade única e última tumultuar o ambiente político agiria de maneira tão, aparentemente tranquila, mas, ao mesmo tempo, leviana, diante das consequências de seus atos.

Há um dito popular que diz “Escreveu não leu, o pau comeu”. É o que se diz quando alguém faz alguma coisa sem finalizar. Terá que arcar com a responsabilidade da tarefa inconclusa, sofrendo as consequências que faz por merecer.
 

Noticia-se que Eduardo Cunha iniciou nos últimos dias uma negociação com o Palácio do Planalto e com lideranças do governo na Câmara para tentar salvar seu mandato. Em troca, ele se comprometeria a não dar o pontapé inicial em um processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.
 

O problema nisso é que nem mesmo um peteleco o deputado consegue ou conseguirá dar. Está sem saída e percebeu o tamanho da encrenca que criou. Como é que alguém que parece conhecer o regimento da Câmara de trás pra frente, da frente pra trás, dá uma mancada como a de confundir alho com bugalho como foi e é o tal “rito”, uma lei, que lhe caberia, como presidente da Câmara, estabelecer ou baixar?
 

Acusado de integrar o esquema de corrupção da Petrobras, com a suspeita de ter recebido dinheiro de propina em contas secretas dele e de familiares na Suíça, o Conselho de Ética da Câmara, constituído por “cobras criadas”, não irá mover uma palha a seu favor ou servir de boia para que não afunde de uma vez. O fato grave é que o deputado mentiu quando, por conta própria, foi depor na CPI da Petrobrás. As tais contas na Suíça poderiam até ser legais. O que conta é que mentiu e nada mais.
 

Para Eduardo Cunha a renúncia também não é uma opção. Seu processo no STF seria mandado de volta para o juiz Sérgio Moro que, provavelmente, mandaria prendê-lo. Depois disso enfrentaria 30 anos de cadeia. Merecidos.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
14/10/2015

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