Aberrações decorrentes da CPI da Petrobrás

O TSE já decidiu que o cargo não pertence ao cidadão eleito para ocupá-lo. Pertence ao partido ao qual se afilia. Agora terá que esclarecer que o cidadão não pode se declarar em oposição ao programa daquele partido. Parece não haver limite para as aberrações no regime político brasileiro que se quer declarar republicano.
O deputado Henrique Fontana (PT-RS) andava sumido e agora estaria aproveitando uma oportunidade para reaparecer. Poder-se-ia imaginar que fosse para tratar dessa questão principalmente por estar em discussão a decisão tomada pelo deputado que ocupa a terceira posição na hierarquia na sucessão para ocupar o cargo de presidente da República. A aberração é de tal ordem que agora se tem a possibilidade do deputado federal Eduardo Cunha vir a ocupar a presidência e, uma vez lá, declarar-se em oposição ao seu governo.
Não é, porém, o caso. O deputado Fontana teria gosto pela promoção de gritarias histéricas como foram as promovidas na CPMI dos Correios que antecedeu a do Mensalão. Competiu, então com ACM Neto (PDB-BA) hoje prefeito de Salvador. Aproveitaram-se das suas condições de deputados para ofenderem testemunhas, aos berros e, pela expressão no rosto delas ficou visível o desejo de se levantarem e darem tapas nas caras de quem, sob condições normais de igualdade de posição hierárquica na sociedade mereceriam mais do que os tapas. Um murro na testa de cada um ficaria sem revide. Não passariam, portanto, de dois covardes metidos a machões.
O deputado Fontana pretende requerer uma acareação entre o empresário Júlio Camargo e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha. Pode-se prever o que acontecerá. Com muita gritaria irá proclamar ser o PT o exemplo do comportamento ético que se esmera pela condução da política de maneira republicana. Não passaria de um idiota demagogo não estivesse ele protegido pelas prerrogativas exclusivas de parlamentares: podem ofender qualquer um, certos de que não haverá retaliação.
Queira o deputado buscar elucidar o que aconteceu, antes de propor a acareação poderia dirigir sua própria Investigação Criminal da Cena (Scene Crime Investigation) com a qual de estar bastante familiarizado.
O encontro entre Júlio Camargo, Eduardo Cunha e Fernando Soares (Fernando Baiano) teria ocorrido num domingo, num prédio comercial no bairro do Leblon, Rio de Janeiro. Esse encontro deveria ser investigado, e muito provavelmente está, por ordem do STF. Mas, o deputado Fontana poderia por conta própria, com apoio da CPI da Petrobrás, ir atrás dos prováveis envolvidos: motoristas dos carros ou taxis que levaram os três personagens até o prédio, o porteiro e funcionários do prédio, a pessoas que tinha a chave ou chaves das salas onde o encontro teria ocorrido. Poderia verificar se há câmaras de segurança do prédio ou nas redondezas. E assim por diante.
Há, portanto, ações que o deputado poderia promover antes de enveredar por um caminho até chegar a uma posição de destaque diante das câmeras da TV Câmara quando nos proporcionaria um espetáculo que seria mais apropriado para um circo.
Caso não queira fazer isso melhor seria se voltasse e permanecesse longe da CPI da Petrobrás e até mesmo do plenário da Câmara de Deputados. Seu salário estaria garantido: basta assinar a presença na Câmara, fechar-se no seu gabinete e contemplar a paisagem de Brasília.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
19/07/2015

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