A “Teoria da Relatividade” de José Eduardo Cardozo

“A prática [do caixa 2] é recorrente e por vezes o candidato não sabe a origem do dinheiro” explicou ao juiz Moro. Pronto. Tudo é relativo. Para Cardozo se alguém bate na porta de sua casa e lhe entrega a chave de um BMW dirá “muito obrigado” e voltará a se sentar no sofá da sala. Em hipótese alguma perguntará quem mandou lhe entregar a chave. Não faz sentido perguntar se o carro foi comprado numa revendedora do veículo ou se foi roubado. Tudo é relativo, como na Teoria da Relatividade de Einstein. Tanto faz dizer “ele se afastou de mim” ou “eu me afastei dele”.

“Fi-lo porque qui-lo”, dirá Marcelo O. e não “se não pagasse a propina não conseguiria o contrato”.

Lula já havia explicado como a coisa funciona, na entrevista que deu em Paris quando o escândalo do Mensalão veio à tona.

É óbvio que Cardozo jamais seria ministro se não tivéssemos tido um presidente como Lula. Com outro presidente Cardozo nem mesmo teria a honra de dispensar papel higiênico na porta de recinto imundo onde se instalou uma latrina. Não tem um décimo da dignidade do homem humilde que só conseguiu o emprego de limpar o recinto. Vivemos dias duros, ele sabe disso, mas aceita o emprego porque precisa sustentar sua família, custe o que custar. É um homem que não aceitaria esmola de Marcelo O. quanto mais uma propina para furar a fila de gente desesperada para usar a latrina. Mas Cardozo aceitaria e é por isso que será lembrado como o ministro que inventou a “Teoria da Relatividade” para justificar o maior escândalo de corrupção neste País.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
14/03/2017

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