A regra do jogo

Foi criada pelo Estado brasileiro. É a regra da qual nos valemos para conseguir vantagens, livrar-nos de incômodos, como a multa aplicada por um guarda de trânsito, para conseguir alguma vantagem, até mesmo quem “conhece o caminho das pedras no labirinto estatal”. É a “Lei de Gerson”, desavergonhada, indecente, repugnante.  

Sempre existiu e alguém teria que ser cínico para dizer que a desconhece. Por ouvir falar ou praticado. Portanto, não há inocentes nessa história. Júlio Camargo disse tudo e não precisamos que explique.
A regra é antiquíssima e não será um Lula, um Aécio, um FHC, um Eduardo Cunha, um Michel Temer, um Renan Calheiros ou qualquer um inserido no Estado, ou que dele participou, que há de nos prometer que a revogará. Qualquer um deles ou assemelhado que ouse fazer promessas ou sugerir soluções, provavelmente será aquele em quem menos se deve confiar. Faz tempo que nossos políticos teriam se envolvido na condução  do Estado até chegarmos à situação atual. Não mereceriam a confiança nem o respeito da Sociedade brasileira.  

“Para alguém dedurar, tem que ter o que dedurar. Isso não ocorre aqui”, disse Marcelo Odebrecht. “Eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que aquele que fez o fato”, afirmou, acrescentando “que tem valores dos quais não abrirei mão”, citando uma briga entre suas filhas. Estaria dizendo que se uma acusar a outra de roubar jpóias da família ele se voltaria contra a acusadora? Por favor, Marcelo, diga-nos que entedemos mal.

Ai está o nó que amarra o decente ao indecente, o moral ao imoral, o ético ao antiético. Esse nó é vazio de valor.
Marcelo estaria a dizer que esse nó inexiste e que não há valores a defender, o que é inaceitável. Não é possível continuarmos na busca de justificativas para explicar o que é imoral fundamentado em algum valor que seria moral. A contradição é óbvia, mas é o que fazemos.
Não tendo a quem dedurar Marcelo estaria a nos dizer não haver mal a ser enfrentado, mesmo porque estaria insinuandio que a ignorância de fato não o permite assegurar que exista.

Se Marcelo desconhe o que ex-colaboradoes seus delataram então falhou nas escolhas que fez ou foi traído. Seria, portanto, meçhor que sua empresa foi menor, como uma dessas que labutam honestamente e não uma das maiores do Brasil indestadas de ladrões e salafrários que criaram o lamaçal onde submergem.

O fato que Marcelo imagina não existir existe e Marcelo não pode negar sua existência. A regra do jogo foi criada pelo Estado e é com o Estado com quem mantém realações íntimas.

Se não for permitido que o Estado brasileiro seja dedurado a sociedade continuará à mercê dos que têm como meta a manutenção de sua regra e uma esperança de vivermos sob regra oposta deixará de encontrar ambiente onde prosperar.
A questão não é ideológica no sentido de ser possível, natural e espontaneamente, numa sociedade, enumerar diversos ideários unindo membros – se organizando num partido plítico, por exempo – dedicados às suas metas com objetivos e políticas definidas, nenhum deles, porém, objetivando o desmanche, a desmontagem, a erradicação de valores que explicam a razão de ser daquela sociedade. Por incrível que possa parecer o Estado brasileiro que a sociedade politicamente criou orientou-se pela mais vil das regras, as tais “regras do jogo” e que diz “não há regras, não há limites, não há valores comuns a todos os ideários”.

A Operação Lava-Jato escancara uma surpreendente aberração: o Estado brasileiro não tem um alicerce, uma fundação, um apoio na qual todos os membros da sociedade que o politicamente organizou possam se apoiar.

O Estado brasileiro é um Estado onde a regra do jogo é a inexistência de regras.
Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
01/09/2015

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