A gente só estavam ali sentado

Analfa tem razão. O protesto que fez, com seu grupo onde “tudo é di menor”, procede. Falta de tudo nas escolas que frequentam, começando pelos seus professores que, por alguma razão, não conseguem que Analfa aprenda a conjugar verbos.

Analfa é um exemplo típico dos milhares de jovens que, ano após ano, são paridos pelo sistema de ensino público. No caso, o do Estado do Rio de Janeiro.

Analfa já mostra qualidades para ser um líder e, ao voltar para sua escola, será rodeado por admiradores que lhe indagarão, “Tu viu? ”. E ele, “Falei bem ô não falê? “

Estamos bem servidos. Muito bem servidos. Logo depois de ser parido pelo sistema Analfa poderá mandar fazer um cartaz com uma foto recortada do vídeo onde aparece sendo entrevistado e a usará numa campanha para vereador, depois, talvez, prefeito. Quem sabe, militando nos movimentos estudantis consiga se eleger deputado federal.

Dentro em breve Analfa passará a fazer parte do contingente da faixa ente 18 e 24 anos, cuja taxa de desemprego está se aproximando dos 25%.

Deverá fazer a prova do ENEM e contribuir para a formulação de uma das famosas “Pérolas do ENEM”. Analfa, portanto, será ceifado pelo sistema que o pariu, o que será uma enorme perda para o País.

Capado quando ainda é “di menor”, que chances tem Analfa? Entrar na política, seria uma boa alternativa, mas dependerá do empenho que dedicará no início da carreira. O que mais? É impossível predizer.

A destacar no seu currículo sempre será a lembrança dos seus 15 segundos de fama, saboreados na madrugada de 20/05 quando o Batalhão de Choque da PM do Estado do Rio de Janeiro o expulsou, à força, das dependências da Secretaria de Educação.

50 anos adiante Analfa irá fazer outra entrevista, tendo no colo um neto, repetindo o seu discurso indignado, o repórter fechando a reportagem afirmando, “Passaram-se 50 anos e nada mudou”.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
24/05/2016

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