A desconstrução do Estado

A PEC de Meirelles, casuística, reintroduz a lógica autoritária dos governos militares. Congela pelos próximos vinte anos, a partir de 2017 com um ajuste em 2027, o teto das despesas do governo, corrigidas ano a ano pela taxa de inflação do ano anterior. Uma vez rompido o cabresto, em 2028, poderá reativar a disparada incontrolada da taxa de inflação, greves interromperão as atividades econômicas, criando o ambiente propício para a fundação de outra CUT sob a liderança de outro Lula. Por outro lado, por ser casuística, a emenda constitucional poderá ser retirada da Constituição com outra PEC do Congresso que será eleito em 2018, ou em 2022, etc.

Tem-se os governos estaduais, sobrecarregados com dívidas impagáveis, solicitando socorro da União cuja arrecadação decresce mensalmente na razão de 4 a 5% por mês. No final do ano, totalizada sua despesa, se a PEC de Meirelles for aprovada, será estabelecido o teto para os próximos 20 anos, sendo fácil prever o que acontecerá: todos os demais países continuarão a investir na criação de novas tecnologias às quais o Brasil não terá acesso por falta de investimentos do Estado no setor privado.

Não é desprezível a probabilidade de que Temer se torne réu no STF, não sendo descartável a possibilidade de que Sérgio Machado e filhos tenham gravado as conversas com todos os que deles receberam propinas, que eram divididas em duas partes: o valor que seria, teoricamente, doação oficial e o valor que abastecia o caixa dois de partidos ou o bolso dos destinatários das propinas.

Começa a parecer que a cassação do mandato de Dilma Roussef é uma emenda que será pior do que o soneto.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
19/06/2016

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