A democracia não vai morrer

O fatiamento da pena imposta à Dilma Rousseff teria resultado de acordo entre seu advogado e o presidente do Senado. Quem eles pensam que são? Começaria ai um desvido das “regras do  jogo democrático”, a Constituição de 1988. A regra está lá no parágrafo úncico de artigo 52. 

0 temor de Dilma sugere que ela seria a garantia da sobrevivência da democracia, um tipo de “Salvadora da Pátria”. Pelo contrário, está vivinha, como demonstra a lambança no momento de se anunciar a pena no final de seu julgamento. Não fosse a democracia o STF não teria a oportunidade de atender os pedidos para que seja feita a correção, mantida ou revertida.

Dona Dilma lembrou-se das sevícias que sofreu, quando não havia democracia, mas esqueceu-se de ressaltar que foi vítima da parte podre dos “donos do poder”, tendo o lado podre de um grupo a que se associou assassinado o Zazá, que morreu por estar fardado. Ou vai ela quer dizer que nada sabe sobre ele? A morte do Zazá ocorreu antes de sua prisão. Portanto que não se faça de inocente e de “Joana Dilma d´Arc”, falando de seus netos esquecendo-se dos bisnetos do Zazá. Dona Dilma foi presa quando tinha 19 anos. Zazá foi assassinado quando tinha 41.

O STF, sem dúvida, submete-se à democracia que, no Brasil, está inteiramente regulamentada pelo que chamamos de “Constituição” onde se encontram as “regras do jogo democrático”. Do mesmo modo como um árbitro de futebol penaliza faltas, e até expulsa de campo o jogador que não cumpre as regras, as “regras do jogo democrático” expulsa do seu meio gente como Dona Dilma a quem se deve aplicar a pena especificada. Caso não concorde, apele ao STF como já fez seu advogado, solicitando a correção de erros que teriam sido cometidos pelos seus julgadores que, “pelas regras do jogo democrático” têm todo o direito de cometer burrices, lá previstas, acompanhadas do devido corretivo. E entre esses erros estão previstas outras burrices, como o estabelecimento de sua pena, que deve sofrer a devida correção. Ou não. Ou de ser revertida.

O que não pode acontecer, de acordo com as “regras do jogo democrático”, é esse abuso a que Dona Dilma está se dando o direito, que é o de falar demais, sempre se apresentando como vítima de um regime militar, que cometeu crimes, mas omitindo os crimes cometidos pelo lado podre de um bando a que estava associada e os de um de seus ídolos de nome Getúlio Vargas. Aliás, se Dona Dilma se der ao trabalho de verificar o que esse ídolo fez, suas lágrimas iriam secar por conta dos sofrimentos infringidos a exatos 3.999 “presos políticos” que, entre outras coisas, foram as primeiras cobaias do famoso “pau de arara”, coisa que nunca havia acontecido no Brasil desde o tempo de Deodoro.

Que Dona Dilma não se preocupe com uma possível morte da democracia. Estamos todos de olhos abertos, uns protestando a favor dela, outros procurando restabelecer sua posição na sociedade, outros apoiando o que lhe aconteceu, outros preocupados com as possíveis lambanças que seus julgadores poderão cometer.
No final, aplicando-se as “regras do jogo democrático”, entre mortos e feridos todos se salvam. É isso que importa e garante a nossa sobrevivência, sempre olhando para frente, buscando o bem comum.

Ponha na cabeça, Dona Dilma, que não mais se trata de “pôr na cabeça uma coroa antes que algum aventureiro o faça”. Trata-se de se ter o direito de mudar de rumo, uma vez que o adotado e mantido há 13 anos e meio, nos levou à falência.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
02/09/2016

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