A confissão do prefeito de Cabo Frio

ASPONE é eufemismo para sanguessuga / vagabundo / sem-vergonha. 4.500 deles foram exonerados em maio de 2015, uma economia de R$700 mil. 50 mil famílias estavam pagando R$14/mês/vagabundo. Não parece muito, mas é para quem recebia o salário mínimo de R$788. É ai que a coisa pega. Quantos vagabundos conseguiram uma nomeação via portaria para receberem R$ 788, que usavam para pagar a prestação de carro, aluguel de imóvel, mensalidade de escola de filhos, um almoço refinado num domingo, um celular de última geração?

Diz o prefeito que diminuiu o próprio salário e limitou o teto no município a R$ 7 mil. Significa que seu salário é esse, agora? Reduziu o número de secretarias de 25 para 14 e a inevitável conclusão é a de que o prefeito confessou que durante anos a prefeitura sustentou um bando de sanguessugas/vagabundos/sem-vergonhas uma vez que nada mudou no município.

A confissão se encontra no blog do prefeito, aparecendo como se fosse um grande feito quando, na verdade, a resposta seria “Não fez nada mais do que cumprir sua obrigação”. O que quer? Uma estátua inaugurada na Praça Porto Rocha com banda de música?

O MPE deveria fazer uma devassa no quadro de funcionários da prefeitura para verificar de que maneira aqueles vagabundos foram contratados e para fazer o quê. Verificar se cumpriram seus horários de trabalho e até mesmo se havia mesas e cadeiras para acomodar tanta gente nas secretarias onde supostamente trabalhavam.

Há, pelo menos, 4.500 vagabundos se virando para pagarem as prestações dos carros que compraram e até mesmo para pagarem os aluguéis das casas e apartamentos onde moram. Mais importante: se os domicílios desses vagabundos eram em Cabo Frio.

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Na sua confissão o prefeito alerta os munícipes, justamente aqueles que precisam, que para manter a prefeitura funcionando vai tirar de quem mais precisa, cortando o subsídio para quem usa ônibus para se deslocar de casa para o trabalho e vice-versa. Ou seja, o prefeito confessa ser verdadeiro o dito popular “A corda arrebenta no lado mais fraco”. Portanto, se quem recebe R$788/mês, estava pagando R$14 para sustentar vagabundo, inicialmente se alegrou com a decisão para, em seguir, levar uma paulada sendo informado de que vai gastar R$2/dia a mais na passagem de ônibus. Ou seja, sorriu e depois chorou ao descobrir que a decisão do prefeito vai lhe custar R$40/mês.

A confissão do prefeito deveria motivar o MPE a abrir um inquérito para descobrir o que estava acontecendo e acontece em Cabo Frio.

Lugar de vagabundo que suga os cofres públicos é na cadeia e um prefeito que criou as condições para que isso acontecesse deveria ser responsabilizado pelas consequências dos atos que confessou ter cometido.

Ernesto Lindgen
CIDADE ONLINE
2015/08/06

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