Othon Luiz: regente da banda atômica (Editado 09/07)

Há mais gente na roubalheira na Eletronuclear, inclusive um que joga dos dois lados: prega “Brasil livre de usinas nucleares” e defende Angra 3.

Othon teria se apavorado abusando de previlégios enquanto preso numa corporação naval, orientando gente na destrruição de documentos. Só há uma saída: delação premiada. O assalto vinha acontecedo pelo menos há dez anos.

É curioso o fato de que os atuais defensores de um suposto submarino atômico, que estaria sendo fabricado, lá se vão mais de 30 anos, eram agressivos críticos da decisão tomada durante os governos militares. Entre eles está um “barco que atraca dos dois lados”, um canalha que promovia greves nas universidades federais e, ao mesmo tempo, mantinha contatos diretos com os militares. Esse canalha era um conhecido perseguidor de professores que não o apoiavam. Essa peste, agora, prega a suspensão das operações que estão revelando os corruptos e corruptores que agiram durante os governos petistas.        

“Ele escreveu o artigo ou pagou por ele? ”. Seria uma dúvida que Othon teria que confrontar ao se consultar algum trabalho científico cujo autor seria ele. Tornou-se o regente da banda atômica de um só, que tocava o programa nuclear brasileiro. Isso, porém, não o coloca acima da lei.

Durante mais de 30 anos ouve-se falar num submarino atômico brasileiro, mas a coisa é tão secreta que não se encontra alguém que o tenha visto no estaleiro onde estaria sendo montado. Nem se sabe se o estaleiro existe e muito menos a engenhoca atômica que o movimentaria. A consequência disso é que por volta de 1980 já corria o boato, talvez maldoso, de que a engenhoca, já montada, não cabia no espaço reservado no casco do submarino, que já estaria montado.

É incompreensível o sigilo que cercou as atividades do programa nuclear no Brasil, particularmente no que diz respeito ao suposto submarino atômico. Apenas como comparação, uma comitiva de alunos consegue agendar uma visita a um submarino atômico quu esteja ancorado na base naval em Seatle no estado de Washington, EUA. A garotada é levada para dento do submarino, assiste vídeos e é informada, entre outras coisas, que uma frota de mais de 250 submarinos atômicos americanos permanecem em tarefa de vigilância durante um período de seis meses sem fazer contato com a base e sem emergir. Findo o período, retorna à base e lá permanece durante seis meses para manutenção. A garotada é lavada para ver com os próprios olhos os 24 mísseis, que carregam ogivas atômicas, que seriam lançadas se o presidente dos Estados Unidos ordenasse o lançamento num caso de guerra. Qual o problema numa visita como essa? Nenhum mas, no entanto, no Brasil, isso é considerada coisa ultrassecreta.

A mentalidade no Brasil, nos conduziu à atual vexatória condição em que se torna público que o primeiro e único responsável pelo desenvolvimento da engenhoca, decidiu se autopremiar achacando as empresas envolvidas na construção das usinas nucleares em Angra dos Reis. Para isso, como admitiu, criou uma empresa de fachada que emitiu notas fiscais cobrando serviço por ele prestado. Essa admissão, voluntária, seria o bastante para concluir que Othon perdeu a noção dos valores éticos que apregoava. Considera-se, dir-se-ia, acima da lei.

Assiste-se a marcha para a obscuridade e ostracismo de um cientista que mereceria terem cassados todos os prêmios e títulos a que fez jus, indignamente.

Ernesto Lindgren
CIDADE ONLINE
08/07/2016

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